Bupropiom Zentiva MG
Folheto informativo: Informação para o doente
Bupropiom Zentiva 300 mg comprimidos de libertação modificada cloridrato de bupropiom
Leia com atenção todo este folheto antes de começar a tomar este medicamento, pois contém informação importante para si. – Conserve este folheto. Pode ter necessidade de o ler novamente. – Caso ainda tenha dúvidas, fale com o seu médico ou farmacêutico. – Este medicamento foi receitado apenas para si. Não deve dá-lo a outros. O medicamento pode ser-lhes prejudicial mesmo que apresentem os mesmos sinais de doença. – Se tiver quaisquer efeitos indesejáveis, incluindo possíveis efeitos indesejáveis não indicados neste folheto, fale com o seu médico ou farmacêutico. Ver secção 4.
O que contém este folheto:
1. O que é Bupropiom Zentiva e para que é utilizado
2. O que precisa de saber antes de tomar Bupropiom Zentiva
3. Como tomar Bupropiom Zentiva
4. Efeitos indesejáveis possíveis
5. Como conservar Bupropiom Zentiva
6. Conteúdo da embalagem e outras informações
1. O que é Bupropiom Zentiva e para que é utilizado
Bupropiom Zentiva contém a substância ativa denominada bupropiom e é um medicamento prescrito pelo seu médico para tratar a sua depressão. Pensa-se que interage com os mensageiros químicos do cérebro, conhecidos como noradrenalina e dopamina.
2. O que precisa de saber antes de tomar Bupropiom Zentiva
Não tome Bupropiom Zentiva se – tem alergia ao bupropiom ou a qualquer outro componente deste medicamento (indicados na secção 6). – está a tomar quaisquer outros medicamentos que contenham bupropiom. – lhe foi diagnosticada epilepsia ou tem antecedentes de convulsões. – tem ou teve perturbações alimentares (por exemplo bulimia ou anorexia nervosa). – tem um tumor cerebral. – é habitualmente consumidor intenso de álcool que parou recentemente ou que estejas prestes a parar de consumir. – tem problemas graves de fígado. – parou de tomar sedativos recentemente ou se pretende parar enquanto estiver a tomar Bupropiom Zentiva. – está a tomar ou tiver tomado outros medicamentos para a depressão, conhecidos como inibidores das monoaminoxidases (IMAOs), nos últimos 14 dias. Se algum destes casos de aplica a si, fale imediatamente com o seu médico, sem tomar Bupropiom Zentiva.
Advertências e precauções
Fale com o seu médico ou farmacêutico antes de tomar Bupropiom Zentiva.
Síndrome de Brugada se tem uma doença chamada síndrome de Brugada (uma síndrome hereditária rara que afeta o ritmo cardíaco) ou se paragem cardíaca ou morte súbita ocorreram na sua família.
Reações graves na pele Foram notificadas em associação com Bupropiom Zentiva reações graves na pele, como o síndrome de Stevens-Johnson (SJS), a necrólise epidérmica tóxica (TEN), a reação a fármaco com eosinofilia e sintomas sistémicos (DRESS) e a pustulose exantematosa generalizada aguda (AGEP). Pare de usar Bupropiom Zentiva e procure assistência médica imediatamente se notar quaisquer sintomas relacionados com estas reações graves na pele descritas na secção 4.
Crianças e adolescentes Bupropiom Zentiva não está recomendado no tratamento de crianças com idade inferior a 18 anos. Existe um risco aumentado de comportamentos e pensamentos suicidas quando crianças com idade inferior a 18 aos são tratadas com antidepressivos.
Adultos
Antes de tomar Bupropiom Zentiva, o seu médico necessita de saber:
– se consome muito álcool regularmente. – se tem diabetes, para a qual utiliza insulina ou comprimidos. – se já teve alguma lesão grave na cabeça ou tem antecedentes de traumatismo craniano. Bupropiom demonstrou causar ataques (convulsões) em aproximadamente 1 em cada 1.000 pessoas. Este efeito indesejável é mais provável de ocorrer em pessoas dos grupos mencionados acima. Se sofrer um ataque durante o tratamento, deverá parar de tomar Bupropiom Zentiva. Não tome mais e dirija-se ao seu médico. – se tem doença bipolar (alterações de humor extremas), pois bupropiom pode precipitar um episódio desta doença. – se está a tomar outros medicamentos para a depressão, o uso desses medicamentos com Bupropiom Zentiva pode originar síndrome serotoninérgica, uma condição potencialmente fatal (ver "Outros medicamentos e Bupropiom Zentiva" nesta secção). – se tem problemas no fígado ou nos rins, pode estar mais suscetível aos efeitos indesejáveis. Se algumas das situações mencionadas acima se aplica a si, volte a falar com o seu médico antes de tomar Bupropiom Zentiva. Este poderá querer seguir o seu caso com especial atenção ou recomendar outro tratamento.
Pensamentos suicidas e agravamento da sua depressão Se se encontra deprimido poderá por vezes pensar em se autoagredir ou até suicidar. Estes pensamentos podem aumentar no início do tratamento com antidepressivos, pois todos estes medicamentos necessitam de tempo para atuarem, demorando normalmente cerca de 2 semanas mas podendo por vezes demorar mais tempo. Poderá estar mais predisposto a ter este tipo de pensamentos nas seguintes situações: – Se tem antecedentes de ter pensamentos acerca de se suicidar ou se autoagredir. – Se é um jovem adulto. A informação proveniente de estudos clínicos revelou um maior risco de comportamento suicida em indivíduos adultos com menos de 25 anos com problemas psiquiátricos tratados com antidepressivos. Se em qualquer momento vier a ter pensamentos no sentido de autoagressão ou suicídio, deverá contactar o seu médico ou dirigir-se imediatamente ao hospital.
Poderá ser útil para si comunicar a uma pessoa próxima de si ou a um familiar que se encontra deprimido e dar-lhes este folheto a ler. Poderá também solicitar-lhes que o informem caso verifiquem um agravamento do seu estado de depressão, ou se ficarem preocupados com alterações no seu comportamento.
Outros medicamentos e Bupropiom Zentiva Se estiver a tomar ou tiver tomado, nos últimos 14 dias, outros antidepressivos denominados inibidores das monoaminoxidases (IMAOs), contacte o seu médico sem tomar Bupropiom Zentiva (ver também “Não tome Bupropiom Zentiva” na secção 2).
Se estiver a tomar outros medicamentos, plantas ou vitaminas, incluindo produtos obtidos sem receita médica, informe o seu médico ou farmacêutico. Este poderá alterar a sua dose de Bupropiom Zentiva ou sugerir uma alteração na outra medicação que está a tomar.
Alguns medicamentos não se combinam com Bupropiom Zentiva. Alguns deles poderão aumentar a probabilidade de ataques ou convulsões. Outros medicamentos poderão aumentar o risco de outros efeitos indesejáveis. Alguns exemplos estão descritos abaixo, no entanto não é uma lista completa.
Poderá ter uma maior probabilidade de convulsões que o habitual se – tomar outros medicamentos para a depressão ou para outra doença mental. – tomar teofilina para a asma ou doença pulmonar. – tomar tramadol, um potente analgésico. – tiver estado a tomar sedativos, ou se vai interromper o seu consumo enquanto está a tomar Bupropiom Zentiva (ver também “Não tome Bupropiom Zentiva” na secção 2). – tomar medicamentos contra a malária (tais como mefloquina ou cloroquina). – tomar estimulantes ou outros medicamentos para controlar o seu peso ou apetite. – tomar esteroides (por via oral ou injetável). – tomar antibióticos denominados quinolonas. – tomar alguns tipos de anti-histamínicos que possam causar sonolência. – tomar medicamentos para a diabetes. Se algum destes casos se aplica a si, fale imediatamente com o seu médico, antes de tomar Bupropiom Zentiva. O seu médico avaliará os benefícios e os riscos de tomar Bupropiom Zentiva.
Poderá ter uma maior probabilidade de outros efeitos indesejáveis que o habitual se – tomar outros medicamentos para a depressão (tais como amitriptilina, fluoxetina, paroxetina, citalopram, escitalopram, venlafaxina, dosulepina, desipramina ou imipramina) ou para outra doença mental (tais como clozapina, risperidona, tioridazina, olanzapina). Bupropiom Zentiva pode interagir com alguns medicamentos utilizados no tratamento da depressão e pode experienciar mudanças do estado mental (p.e. agitação, alucinações, coma), e outros efeitos, como temperatura corporal acima de 38 ºC, aumento da frequência cardíaca, pressão sanguínea instável, e exagero de reflexos, rigidez muscular, falta de coordenação e/ou sintomas gastrointestinais (p.e. náusea, vómitos, diarreia). – tomar medicamentos para a doença de Parkinson (levodopa, amantadina, ou orfenadrina). – tomar medicamentos que afetem a capacidade do seu organismo degradar bupropiom (carbamazepina, fenitoína, valproato). – tomar alguns medicamentos usados no tratamento do cancro (tais como ciclofosfamida, ifosfamida). – tomar ticlopidina ou clopidogrel, utilizados principalmente na prevenção de acidente vascular cerebral. – tomar bloqueadores beta (tais como metoprolol). – tomar medicamentos para a arritmia cardíaca (propafenona ou flecainida). – utilizar adesivos de nicotina para o ajudar a deixar de fumar. Se algum destes casos se aplica a si, fale imediamente com o seu médico, antes de tomar Bupropiom Zentiva.
Bupropiom Zentiva poderá ser menos eficaz se – tomar ritonavir ou efavirenz, medicamentos para tratar a infeção por VIH. Se isto se aplica a si, fale com o seu médico. O seu médico irá verificar como é que Bupropiom Zentiva está a funcionar em si. Poderá ser necessário aumentar a sua dose ou mudar de tratamento para a sua depressão. Não aumente a sua dose de Bupropiom Zentiva sem indicação do seu médico, uma vez que isso pode aumentar o risco de ter efeitos indesejáveis, incluindo convulsões.
Bupropiom Zentiva pode tornar outros medicamentos menos eficazes se – toma tamoxifeno usado para tratamento do cancro da mama. Se isto se aplica a si, fale com o seu médico. Pode ser necessário alterar o seu tratamento para a depressão. – toma digoxina para o coração. Se isto se aplica a si, fale com o seu médico. O seu médico poderá considerar ajustar a dose de digoxina.
Bupropiom Zentiva com álcool O álcool pode afetar a forma como bupropiom funciona e quando usados em simultâneo podem raramente afetar os seus nervos ou estado mental. Algumas pessoas sentem-se mais sensíveis ao álcool quando estão a tomar Bupropiom Zentiva. O seu médico poderá sugerir-lhe que não consuma álcool (cerveja, vinho, bebidas espirituosas), ou consuma muito pouco, enquanto está a tomar Bupropiom Zentiva. No entanto, se de momento consome muito álcool, não deve parar repentinamente, pois pode colocá-lo em risco de ter um ataque. Fale com o seu médico sobre o consumo de álcool antes de começar a tomar Bupropiom Zentiva.
Efeito nos testes à urina Bupropiom pode interferir com alguns testes à urina para detetar outros fármacos. Se necessitar de um teste à urina, informe o seu médico ou o hospital de que está a tomar Bupropiom Zentiva.
Gravidez e amamentação Não tome Bupropiom Zentiva se está grávida, se pensa estar grávida ou planeia engravidar, a não ser que seja recomendado pelo seu médico. Consulte o seu médico ou farmacêutico antes de tomar este medicamento. Alguns, mas nem todos os estudos, indicaram um aumento do risco de defeitos congénitos, principalmente defeitos cardíacos, em bebés cujas mães estavam a tomar bupropiom. Desconhece-se se estes defeitos são devidos à utilização de bupropiom. Os componentes de Bupropiom Zentiva podem passar para o leite materno. Peça conselho ao seu médico ou farmacêutico antes de tomar Bupropiom Zentiva.
Condução de veículos e utilização de máquinas Se tem tonturas ou sensação de cabeça leve com Bupropiom Zentiva, não conduza ou utilize quaisquer ferramentas ou máquinas.
Bupropiom Zentiva contém sódio Este medicamento contém menos de 1 mmol de sódio (23 mg) por comprimido, ou seja, é praticamente “isento de sódio”.
3. Como tomar Bupropiom Zentiva
Tome este medicamento exatamente como indicado pelo seu médico ou farmacêutico. Estas são as doses habituais, no entanto, o aconselhamento do seu médico é pessoal e dirigido a si. Fale com o seu médico ou farmacêutico se tiver dúvidas. Pode levar algum tempo até começar a sentir-se melhor. O medicamento demora algum tempo até exercer todo o seu efeito, por vezes semanas ou meses. Quando se começar a sentir melhor, o seu médico poderá aconselhá-lo a continuar o tratamento com Bupropiom Zentiva de modo a prevenir o reaparecimento da depressão.
Quantidade a tomar A dose habitual recomendada para adultos é um comprimido de 150 mg por dia. Se a sua depressão não melhorar após várias semanas de tratamento, o seu médico poderá aumentar a sua dose até 300 mg por dia.
Tome a sua dose de Bupropiom Zentiva comprimidos pela manhã. Não tome Bupropiom Zentiva mais de uma vez por dia. O comprimido é envolto numa matriz que liberta lentamente o medicamento dentro do seu corpo. Nas suas fezes pode reparar em algo que parece um comprimido. Trata-se da matriz vazia a sair do seu corpo.
Engula os seus comprimidos inteiros. Não os mastigue, esmague ou divida, se o fizer, existe o perigo de sobredosagem, porque o medicamento será libertado para o seu organismo muito rapidamente. Isto aumentará a probabilidade de ocorrência de efeitos indesejáveis, incluindo ataques (convulsões).
Algumas pessoas irão permanecer com um comprimido de 150 mg por dia durante todo o tratamento. O seu médico poderá ter prescrito esta dosagem caso tenha problemas de fígado ou rins.
Durante quanto tempo tomar Somente você e o seu médico poderão decidir por quanto tempo deverá tomar Bupropiom Zentiva. Poderá demorar semanas ou meses de tratamento até que sinta algumas melhoras. Informe regularmente o seu médico sobre os seus sintomas de forma a decidir por quanto tempo mais deverá continuar a tomar o medicamento. Quando se começar a sentir melhor, o seu médico poderá aconselhá-lo a continuar o tratamento com Bupropiom Zentiva de modo a prevenir o reaparecimento da depressão.
Se tomar mais Bupropiom Zentiva do que deveria Se tomar demasiados comprimidos, poderá aumentar o risco de ataque ou convulsão. Não adie. Pergunte ao seu médico o que fazer ou contacte o serviço de urgência hospitalar mais próximo assim que puder.
Caso se tenha esquecido de tomar Bupropiom Zentiva Caso se tenha esquecido de tomar uma dose, espere e tome o próximo comprimido à hora habitual. Não tome uma dose a dobrar para compensar uma dose que se esqueceu de tomar.
Se parar de tomar Bupropiom Zentiva Não pare de tomar Bupropiom Zentiva nem reduza a sua dose sem primeiro falar com o seu médico.
Caso ainda tenha dúvidas sobre a utilização deste medicamento, fale com o seu médico ou farmacêutico.
4. Efeitos indesejáveis
Como todos os medicamentos, este medicamento pode causar efeitos indesejáveis, embora estes não se manifestem em todas as pessoas.
Efeitos indesejáveis graves
Ataques ou convulsões Aproximadamente 1 em 1.000 pessoas que tomam bupropiom está em risco de ter um ataque (convulsão). A probabilidade de isto acontecer é mais elevada se exceder a dose, se tomar certos medicamentos, ou se estiver em maior risco de convulsões do que o habitual. Se estiver preocupado fale com o seu médico. Se tiver um ataque, diga ao seu médico quando tiver recuperado. Não tome mais comprimidos.
Reações alérgicas Algumas pessoas podem ter reações alérgicas ao bupropiom. Estas incluem: – Pele vermelha ou erupção da pele (semelhante a urticária), e inchaço com comichão (urticária) na pele. – Respiração anormal ou dificuldade em respirar. – Inchaço das pálpebras, lábios ou língua. – Dores musculares ou nas articulações. – Colapso ou perda de consciência. Se tiver algum dos sinais de reação alérgica contacte o seu médico. Não tome mais comprimidos. As reações alérgicas podem durar muito tempo. Se o seu médico lhe prescreveu algum medicamento para o alívio dos sintomas alérgicos, assegure-se que cumpre o tratamento até ao fim.
Reações graves na pele Pare de utilizar o bupropiom e procure assistência médica imediatamente caso note qualquer um dos seguintes sintomas: – muito raros (podem afetar até 1 em 10.000 pessoas): Manchas no tronco circulares ou em forma de alvo avermelhadas e não elevadas, frequentemente com bolhas centrais, descamação da pele, úlceras na boca, garganta, nariz, genitais e olhos. Estas erupções cutâneas graves podem ser precedidas por febre e sintomas semelhantes aos da gripe (síndrome de Stevens-Johnson). – desconhecido (não é possível calcular a frequência a partir dos dados disponíveis): – Grandes áreas de formação de bolhas e descamação extensa da pele ocorrem numa forma grave da reação cutânea grave descrita acima (necrólise epidérmica tóxica). – Erupção cutânea generalizada, febre alta e aumento dos gânglios linfáticos (síndrome DRESS ou síndrome de hipersensibilidade a medicamentos). O início deste síndrome geralmente é tardio (2-6 semanas após o início do tratamento). – Erupção cutânea vermelha e escamosa, generalizada, com nódulos sob a pele e bolhas, acompanhada de febre. Os sintomas geralmente aparecem no início do tratamento (pustulose exantematosa generalizada aguda).
Erupção cutânea devido ao lúpus ou agravamento dos sintomas de lúpus (desconhecido – não é possível calcular a frequência a partir dos dados disponíveis) O lúpus é uma perturbação do sistema imunitário que afeta a pele e outros órgãos. Se tiver exacerbações do lúpus, erupção ou lesões cutâneas (em especial em zonas expostas ao sol) enquanto estiver a tomar Bupropiom Zentiva, contacte imediatamente o seu médico pois pode ser necessário parar o tratamento.
Outros efeitos indesejáveis Muito frequentes (podem afetar mais de 1 em 10 pessoas): – Dificuldade em dormir. Tome Bupropiom Zentiva de manhã. – Dor de cabeça. – Boca seca. – Sensação de mal-estar, vómitos.
Frequentes (podem afetar até 1 em 10 pessoas): – Febre, tonturas, comichão, suores e erupção cutânea (por vezes devido a uma reação alérgica). – Falta de estabilidade, tremor, fraqueza, cansaço, dor no peito. – Ansiedade ou agitação. – Dor de barriga ou outros distúrbios (obstipação), alterações do paladar, perda do apetite (anorexia). – Aumento da pressão arterial, por vezes grave, rubor da face. – Zumbidos, distúrbios visuais.
Pouco frequentes (podem afetar até 1 em 100 pessoas): – Sentir-se deprimido (ver também secção 2 "Tome especial cuidado com Bupropiom Zentiva", em "Pensamentos suicidas e agravamento da sua depressão"). – Sentir-se confuso. – Dificuldade de concentração. – Aumento da frequência cardíaca. – Perda de peso.
Raros (podem afetar até 1 em 1000 pessoas): – Convulsões.
Muito raros (podem afetar até 1 em 10.000 pessoas): – Palpitações, desmaios. – Agitação, rigidez muscular, movimentos não controlados, problemas em andar ou descoordenação. – Inquietação, irritabilidade, hostilidade, agressividade, sonhos anómalos, formigueiro ou dormência, perda da memória. – Amarelecimento da pele ou da parte branca dos olhos (icterícia) que pode ser causada pela elevação das enzimas hepáticas, hepatite. – Reações alérgicas graves; erupção cutânea associada a dores musculares e nas articulações. – Alterações dos níveis de açúcar no sangue. – Urinar mais ou menos do que o normal. – Incontinência urinária (vontade involuntária de urinar, perda de urina). – Agravamento da psoríase (espessamento das placas). – Queda ou enfraquecimento do cabelo fora do normal (alopecia). – Sensação de irrealidade ou de estranheza (despersonalização); ver ou ouvir coisas que não existem (alucinações), sentir ou acreditar em coisas que não existem (delírios); suspeição grave (paranoia).
Desconhecido (não é possível calcular a frequência a partir dos dados disponíveis): – Pensamentos de agressão ou suicídio enquanto toma Bupropiom Zentiva ou logo após interromper o tratamento (ver secção 2, "O que precisa de saber antes de tomar Bupropiom Zentiva"). Se tiver estes pensamentos, contacte o seu médico ou dirija-se a um hospital imediatamente. – Perda de contacto com a realidade e incapacidade de pensar ou julgar com clareza (psicose); outros sintomas poderão incluir alucinações e/ou delírios. – Sensação súbita e intensa de medo (ataque de pânico). – Gaguez. – Diminuição do número de glóbulos vermelhos (anemia), diminuição do número de glóbulos brancos (leucopenia) e diminuição do número de plaquetas (trombocitopenia). – Diminuição dos níveis de sódio no sangue (hiponatremia). – Mudanças do estado mental (p.e. agitação, alucinações, coma), e outros efeitos, como temperatura corporal acima de 38 ºC, aumento da frequência cardíaca, pressão sanguínea instável, e exagero de reflexos, rigidez muscular, falta de coordenação e/ou sintomas gastrointestinais (p.e. náusea, vómitos, diarreia), enquanto toma Bupropiom Zentiva juntamente com medicamentos utilizados no tratamento da depressão (como a paroxetina, citalopram, escitalopram, fluoxetina e venlafaxina).
Comunicação de efeitos indesejáveis Se tiver quaisquer efeitos indesejáveis, incluindo possíveis efeitos indesejáveis não indicados neste folheto, fale com o seu médico, farmacêutico ou enfermeiro. Também poderá comunicar efeitos indesejáveis diretamente ao INFARMED, I.P. através dos contactos abaixo. Ao comunicar efeitos indesejáveis, estará a ajudar a fornecer mais informações sobre a segurança deste medicamento.
Sítio da internet: http://www.infarmed.pt/web/infarmed/submissaoram (preferencialmente) ou através dos seguintes contactos: Direção de Gestão do Risco de Medicamentos Parque da Saúde de Lisboa, Av. Brasil 53 1749-004 Lisboa Tel: +351 21 798 73 73 Linha do Medicamento: 800222444 (gratuita) E-mail: [email protected]
5. Como conservar Bupropiom Zentiva
Manter este medicamento fora da vista e do alcance das crianças. Não utilize este medicamento após o prazo de validade impresso na embalagem exterior VAL. O prazo de validade corresponde ao último dia do mês indicado. Este medicamento não necessita de precauções especiais de conservação. Não deite fora quaisquer medicamentos na canalização ou no lixo doméstico. Pergunte ao seu farmacêutico como deitar fora os medicamentos que já não utiliza. Estas medidas ajudarão a proteger o ambiente.
6. Conteúdo da embalagem e outras informações
Qual a composição de Bupropiom Zentiva – A substância ativa é cloridrato de bupropiom. Cada comprimido contém 300 mg de cloridrato de bupropiom. – Os outros componentes são: – Núcleo do comprimido: povidona, cloridrato de cisteína mono-hidratado, sílica coloidal anidra, dibehenato de glicerilo, estearato de magnésio (E 470b). – Revestimento do comprimido: etilcelulose, povidona, macrogol, copolímero de ácido metacrílico-etilacrilato (1:1), laurilsulfato de sódio, polissorbato 80, sílica hidratada coloidal, citrato de trietilo. – Tinta de impressão: shellac, óxido de ferro preto (E172), propilenoglicol (E1520).
Qual o aspeto de Bupropiom Zentiva e conteúdo da embalagem Bupropiom Zentiva é um comprimido de cor branco cremoso a amarelo pálido, redondo, impresso com “GS2” numa face e liso na outra. O diâmetro do comprimido é de aproximadamente 9,3 mm. Blister OPA/Alu/PVC-Alu contendo 7, 30, 60 e 90 comprimidos de libertação modificada. Também disponível em blister unidose OPA/Alu/PVC-Alu contendo 30×1 comprimidos de libertação modificada. É possível que não sejam comercializadas todas as apresentações.
Titular da Autorização de Introdução no Mercado e Fabricante
Titular da Autorização de Introdução
Zentiva Portugal, Lda. Miraflores Premium I Alameda Fernão Lopes, 16 A – 8º piso A 1495-190 Algés
Fabricante
LABORATORI FUNDACIÓ DAU C/ C, 12-14 Pol. Ind. Zona Franca Barcelona, 08040 Espanha
Este medicamento encontra-se autorizado nos Estados Membros do Espaço Económico Europeu com as seguintes denominações:
Alemanha Bupropion Zentiva 300 mg Tabletten mit veränderter Wirkstofffreisetzung Itália Bupropione Zentiva Noruega Bupropion hydrochloride Zentiva Polónia Pixigan Portugal Bupropiom Zentiva Suécia Bupropion Zentiva
Este folheto foi revisto pela última vez em
⚕Para profissionais — Resumo das Características do Medicamento (RCM)Ficha técnica completa: posologia, interações, contraindicações, advertências+
1. NOME DO MEDICAMENTO
Bupropiom Zentiva 300 mg comprimidos de libertação modificada
2. COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA
Cada comprimido contém 300 mg de cloridrato de bupropiom. Lista completa de excipientes, ver secção 6.1.
3. FORMA FARMACÊUTICA
Comprimido de libertação modificada. Comprimido de cor branco cremoso a amarelo pálido, redondo, impresso com “GS2” numa face e liso na outra. O diâmetro do comprimido é de aproximadamente 9 mm.
4. INFORMAÇÕES CLÍNICAS
4.1. Indicações terapêuticas
Bupropiom Zentiva é indicado no tratamento de episódios depressivos major.
4.2. Posologia e modo de administração
Posologia
Adultos A dose inicial recomendada é de 150 mg uma vez por dia. Não foi estabelecida uma dose ótima nos ensaios clínicos. No caso de não se verificarem melhorias após 4 semanas de tratamento com uma dose de 150 mg, esta poderá ser aumentada para 300 mg uma vez por dia. Deverá existir um intervalo de pelo menos 24 horas entre as administrações subsequentes. O início de ação do bupropiom foi observado 14 dias após o início da terapêutica. Como com todos os antidepressivos o efeito antidepressivo máximo de Bupropiom Zentiva poderá não ser evidente antes de várias semanas de tratamento. Os doentes com depressão deverão ser tratados durante um período de tempo suficiente, de pelo menos 6 meses, para assegurar o desaparecimento da sintomatologia. A insónia é um efeito adverso muito frequente que normalmente é transitório. Este efeito poderá ser reduzido evitando tomar o medicamento à hora de deitar (desde que exista um intervalo de pelo menos 24 horas entre administrações).
Alteração da terapêutica aos doentes a partir de comprimidos de bupropiom Quando se altera a terapêutica com comprimidos de libertação prolongada de bupropiom administrados duas vezes por dia para Bupropiom Zentiva libertação modificada, deverá manter-se, quando possível, a mesma dose diária total.
População pediátrica Bupropiom Zentiva não é indicado para utilização em crianças ou adolescentes com idade inferior a 18 anos (ver secção 4.4). A segurança e eficácia de bupropiom não foram estabelecidas em doentes com idade inferior a 18 anos.
Idosos A eficácia em idosos não foi demonstrada claramente. Num ensaio clínico, os idosos seguiram o mesmo regime posológico que os adultos (ver “Adultos” acima). Não deverá ser excluída a maior sensibilidade em alguns indivíduos idosos.
Compromisso hepático Bupropiom Zentiva deverá ser utilizado com precaução nos doentes com compromisso hepático (ver secção 4.4). Devido à maior variabilidade farmacocinética nos doentes com compromisso hepático ligeiro a moderado, a dose recomendada nestes doentes é de 150 mg uma vez por dia.
Compromisso renal Uma vez que o bupropiom e os seus metabolitos ativos poderão acumular-se nestes doentes numa extensão maior que o normal, a dose recomendada nestes doentes é de 150 mg uma vez por dia (ver secção 4.4).
Modo de administração Bupropiom Zentiva deve ser deglutido inteiro. Os comprimidos não deverão ser partidos, esmagados ou mastigados, sendo que tal poderá aumentar o risco de efeitos adversos incluindo convulsões. Bupropiom Zentiva pode ser administrado com ou sem alimentos.
Suspensão da terapêutica Embora não se tenham observado reações de privação (medidas como notificações espontâneas em vez de escalas de classificação) nos ensaios clínicos com bupropiom, poderá considerar-se um período de redução da dose. O bupropiom é um inibidor seletivo da recaptação neuronal de catecolaminas, não se podendo excluir um efeito rebound ou reações de privação.
4.3. Contraindicações
Bupropiom Zentiva está contraindicado em doentes - com hipersensibilidade à substância ativa ou a qualquer um dos excipientes mencionados na secção 6.1. - que estejam a tomar qualquer outro medicamento que contenha bupropiom, uma vez que a incidência de convulsões é dose-dependente e para evitar sobredosagem. - com doença convulsiva atual ou história de convulsões. - com tumor no sistema nervoso central. - que, em qualquer altura durante o tratamento, interrompam abruptamente o consumo de álcool ou de qualquer medicamento que se saiba associado ao risco de convulsões quando suspenso (em particular benzodiazepinas ou relacionados). - com cirrose hepática grave. - com diagnóstico anterior ou atual de bulimia ou anorexia nervosa. A utilização concomitante de Bupropiom Zentiva e inibidores da monoaminoxidase (IMAOs) está contraindicada. Deverão decorrer pelo menos 14 dias entre a interrupção da terapêutica com IMAOs irreversíveis e o início do tratamento com Bupropiom Zentiva. Um período de 24 horas é suficiente para os IMAOs reversíveis.
4.4. Advertências e precauções especiais de utilização
Convulsões A dose recomendada de comprimidos de libertação modificada de bupropiom não deve ser excedida, uma vez que o bupropiom está associado a risco de convulsões, dose-dependente. A incidência global de convulsões com comprimidos de libertação modificada de bupropiom nos ensaios clínicos, com doses até 450 mg/dia foi de, aproximadamente, 0,1%. Existe um risco aumentado de ocorrência de convulsões com a utilização de bupropiom na presença de fatores de risco predisponentes que reduzam o limiar de convulsão. Assim, Bupropiom Zentiva deverá ser administrado com precaução em doentes com um ou mais fatores de risco predisponentes a uma redução do limiar de convulsão. Todos os doentes deverão ser avaliados relativamente aos fatores de risco predisponentes, incluindo: - Administração concomitante de outros medicamentos que se sabe reduzirem o limiar de convulsão (p.e. antipsicóticos, antidepressivos, antimaláricos, tramadol, teofilina, esteroides sistémicos, quinolonas e anti- histamínicos sedantes). - Abuso de álcool (ver também secção 4.3) - História de traumatismo craniano. - Diabetes tratada com hipoglicemiantes ou insulina. - Utilização de produtos estimulantes ou anoréticos. Bupropiom Zentiva deve ser interrompido e não deve ser reintroduzido em doentes que tenham sofrido uma convulsão durante o tratamento.
Interações (ver secção 4.5) Os níveis plasmáticos do bupropiom ou dos seus metabolitos poderão ser alterados devido a interações farmacocinéticas, podendo aumentar o potencial para efeitos indesejáveis (p.e. boca seca, insónia, convulsões). Assim, recomenda-se precaução quando o bupropiom é administrado concomitantemente com medicamentos que possam induzir ou inibir o metabolismo do bupropiom. O bupropiom inibe a metabolização pelo citocromo P450 2D6. Recomenda-se precaução na administração concomitante de medicamentos metabolizados por esta enzima. Na literatura, foi demonstrado que os medicamentos que inibem a CYP2D6 podem levar a concentrações reduzidas de endoxifeno, que é o metabolito ativo do tamoxifeno. Assim, o uso de bupropiom, que é um inibidor da CYP2D6, deve ser evitado, sempre que possível, durante o tratamento com tamoxifeno (ver secção 4.5). Neuropsiquiatria Suicídio/pensamentos suicidas ou agravamento do estado clínico A depressão está associada a um aumento do risco de pensamentos suicidas, autoagressão e suicídio (acontecimentos relacionados com o suicídio). Este risco persiste até que ocorra remissão significativa dos sintomas. Como a melhoria pode não ocorrer durante as primeiras semanas ou mais de tratamento, os doentes deverão ter uma vigilância mais apertada até que ocorra essa melhoria. É um dado geral da experiência clínica que o risco de suicídio pode aumentar durante a fase inicial da recuperação. Sabe-se que os doentes com antecedentes de acontecimentos relacionados com o suicídio, ou aqueles que apresentam um grau significativo de ideação suicida antes do início do tratamento, estão sujeitos a um maior risco de pensamentos suicidas ou tentativas de suicídio, devendo por isso ser cuidadosamente monitorizados durante o tratamento. Uma meta-análise de estudos clínicos com antidepressivos, controlados com placebo, em adultos com distúrbios psiquiátricos demonstrou um aumento do risco de comportamentos relacionados com o suicídio em doentes com menos de 25 anos a tomar antidepressivos comparativamente aos doentes a tomar placebo. A terapêutica medicamentosa deverá ser acompanhada de uma monitorização rigorosa, em particular nos doentes de maior risco, especialmente na fase inicial do tratamento ou na sequência de alterações posológicas. Os doentes (e os seus prestadores de cuidados de saúde) deverão ser alertados sobre a necessidade de monitorização relativamente a qualquer agravamento da situação clínica, pensamentos ou comportamentos relacionados com o suicídio e alterações invulgares de comportamento e procurar assistência médica imediatamente caso estes ocorram. Deverá reconhecer-se que o aparecimento de alguns sintomas neuropsiquiátricos poderão estar relacionados quer com a doença subjacente, quer com a terapêutica farmacológica (ver em baixo “Sintomas neuropsiquiátricos incluindo mania e doença bipolar”; ver secção 4.8). Deverá considerar-se a alteração do regime terapêutico, incluindo a possibilidade de suspensão do medicamento, em doentes em que ocorra comportamento/ideação suicida, principalmente se estes sintomas forem graves, de aparecimento repentino, ou não faziam parte dos sintomas apresentados pelo doente.
Sintomas neuropsiquiátricos incluindo mania e doença bipolar Foram notificados sintomas neuropsiquiátricos (ver secção 4.8). Em particular, foi observada sintomatologia psicótica e maníaca, principalmente em doentes com antecedentes conhecidos de doença psiquiátrica. Adicionalmente, um episódio depressivo major poderá ser a manifestação inicial de doença bipolar. Acredita-se, de um modo geral (apesar de não estabelecido em ensaios controlados), que tratar um episódio deste tipo com um antidepressivo em monoterapia, poderá aumentar a probabilidade de ocorrência de um episódio maníaco/misto em doentes em risco de doença bipolar. Dados clínicos limitados da utilização do bupropiom em combinação com estabilizadores de humor em doentes com antecedentes de doença bipolar, sugerem uma taxa reduzida de alteração para mania. Antes de iniciar o tratamento com um antidepressivo, os doentes deverão ser adequadamente avaliados para determinar se estão em risco de doença bipolar; essa avaliação deverá incluir a história psiquiátrica detalhada, incluindo a história familiar de suicídio, doença bipolar e depressão. Dados experimentais em animais sugerem um potencial para o uso abusivo. Contudo, estudos sobre a tendência para o abuso no ser humano e a vasta experiência clínica, demonstram que o bupropiom tem um baixo potencial para induzir o seu uso abusivo. A experiência clínica com bupropiom em doentes a receber terapêutica eletroconvulsivante (TEC) é limitada. Recomenda-se precaução em doentes a receber TEC concomitantemente com o tratamento com bupropiom.
Hipersensibilidade Bupropiom Zentiva deverá ser imediatamente interrompido caso os doentes apresentem reações de hipersensibilidade durante o tratamento. Os médicos deverão ter conhecimento de que os sintomas podem progredir ou recorrer após interrupção do tratamento com Bupropiom Zentiva, pelo que deverão garantir que o tratamento sintomático é administrado durante um período de tempo adequado (pelo menos 1 semana). Os sintomas incluem habitualmente erupção cutânea, prurido, urticária ou dor torácica, bem como reações mais graves as quais podem incluir angioedema, dispneia/broncospasmo, choque anafilático e eritema multiforme. Foram também notificadas artralgia, mialgia e febre associadas às erupções cutâneas e outros sintomas sugestivos de hipersensibilidade retardada (ver secção 4.8). Na maioria dos doentes, os sintomas melhoraram e resolveram-se com o tempo após interrupção do bupropiom e início de tratamento com um anti-histamínico ou corticosteroide.
Reações adversas cutâneas graves (SCARs) Foram notificadas, em associação com o tratamento com bupropiom, reações adversas cutâneas graves (SCARs), como a Síndrome de Stevens-Johnson (SJS), a necrólise epidérmica tóxica (TEN), a pustulose exantematosa generalizada aguda (AGEP) e a reação a fármaco com eosinofilia e sintomas sistémicos (DRESS), que podem ser uma ameaça à vida ou fatais. Os doentes devem ser informados sobre os sinais e sintomas e monitorizados de perto quanto a reações cutâneas. Se surgirem sinais e sintomas sugestivos destas reações, o bupropiom deve ser imediatamente descontinuado e deve ser considerado um tratamento alternativo (se apropriado). Se o doente tiver desenvolvido uma reação grave, como SJS, TEN, AGEP ou DRESS, com a utilização de bupropiom, o tratamento não deve ser reiniciado neste doente em momento algum.
Doença cardiovascular A experiência clínica relativa à utilização de bupropiom no tratamento da depressão em doentes com doença cardiovascular é limitada. Recomenda-se precaução quando o bupropiom é utilizado nestes doentes. No entanto, em estudos de cessação tabágica realizados em doentes com doença cardiovascular isquémica, o bupropiom foi geralmente bem tolerado (ver secção 5.1).
Pressão arterial O bupropiom demonstrou não induzir aumentos significativos na pressão arterial de doentes não- deprimidos com hipertensão estadio I. No entanto, na prática clínica, foi notificada hipertensão em doentes a receber bupropiom, que nalguns casos pode ser grave (ver secção 4.8) e requerer tratamento imediato. Esta ocorrência foi observada em doentes com e sem antecedentes de hipertensão. Deverá medir-se o valor basal da pressão arterial no início do tratamento com subsequente monitorização, especialmente em doentes com antecedentes de hipertensão. Deverá ser considerada a suspensão de Bupropiom Zentiva se for observado um aumento clinicamente significativo da pressão arterial. A utilização de bupropiom em associação com sistemas transdérmicos de nicotina poderá resultar num aumento da pressão arterial. Síndrome de Brugada O bupropiom pode desencadear síndrome de Brugada, uma doença hereditária rara do canal de sódio cardíaco com alterações características no ECG (bloqueio de ramo direito e elevação do segmento ST nas derivações precordiais direitas), o que pode levar a paragem cardíaca ou morte súbita. É aconselhada precaução em doentes com síndrome de Brugada ou com história familiar de paragem cardíaca ou morte súbita.
Populações especiais População pediátrica O tratamento com antidepressivos está associado a um aumento do risco de comportamentos e pensamentos suicidas em crianças e adolescentes com perturbação depressiva major e outras perturbações do foro psiquiátrico.
Compromisso hepático O bupropiom é extensamente metabolizado no fígado a metabolitos ativos, que são posteriormente metabolizados. Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas na farmacocinética do bupropiom em doentes com cirrose hepática ligeira a moderada, comparativamente a voluntários saudáveis, no entanto, os níveis plasmáticos do bupropiom mostraram uma elevada variabilidade interindividual. Por conseguinte, recomenda-se precaução na utilização de Bupropiom Zentiva em doentes com compromisso hepático ligeiro a moderado (ver secção 4.2). Todos os doentes com compromisso hepático deverão ser cuidadosamente monitorizados quanto a possíveis efeitos indesejáveis (p.e. insónia, boca seca, convulsões) que possam indicar possíveis níveis elevados do fármaco ou dos seus metabolitos.
Compromisso renal O bupropiom é principalmente excretado pela urina, tal como os seus metabolitos. Por este motivo, em doentes com compromisso renal, o bupropiom e os seus metabolitos ativos poderão acumular-se em maior extensão que o normal. Os doentes deverão ser cuidadosamente monitorizados quanto a possíveis efeitos indesejáveis (p.e. insónia, boca seca, convulsões) que possam indicar níveis elevados do fármaco ou dos seus metabolitos (ver secção 4.2).
Idosos A eficácia em idosos não foi demonstrada claramente. Num ensaio clínico, os idosos seguiram o mesmo regime posológico que os adultos (ver secções 4.2 e 5.2). Não deverá ser excluída a maior sensibilidade em alguns indivíduos idosos.
Interferência com os testes à urina Tendo uma estrutura química idêntica à da anfetamina, o bupropiom interfere com o ensaio usado nalguns rastreios de deteção rápida de fármacos na urina, o que pode resultar em leituras falso positivas, particularmente para as anfetaminas. Um resultado positivo deve geralmente ser confirmado por um método mais específico.
Vias de administração inapropriadas Bupropiom Zentiva destina-se apenas a utilização por via oral. Tem sido notificada a inalação de comprimidos esmagados ou a injeção de bupropiom dissolvido o que pode levar a uma libertação rápida, a uma absorção mais rápida e a uma potencial sobredosagem. Foram notificadas convulsões e/ou casos de morte quando o bupropiom tem sido administrado por via intranasal ou por injeção parentérica.
Síndrome serotoninérgica Existiram notificações de síndrome serotoninérgica, uma condição potencialmente fatal, quando bupropiom é administrado concomitantemente com um agente serotoninérgico, como Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina (ISRSs) ou Inibidores da Recaptação da Serotonina e Noradrenalina (IRSNs) (ver secção 4.5). Se o tratamento concomitante com outro agente serotoninérgico for clinicamente necessário, é aconselhável a observação adequada do doente, em particular durante o início do tratamento e durante o aumento das doses. Síndrome serotoninérgica pode incluir mudanças do estado mental (p.e. agitação, alucinações e coma), instabilidade neurovegetativa (p.e. taquicardia, tensão arterial lábil, hipertermia), anormalidades neuromusculares (p.e. hiperrreflexia, descoordenação, rigidez muscular), e/ou sintomas gastrointestinais (p.e. náusea, vómitos, diarreia). Se existem suspeitas de síndrome serotoninérgica, a redução da dose ou a descontinuação da terapia deve ser considerada dependendo da severidade dos sintomas.
Este medicamento contém menos de 1 mmol de sódio (23 mg) por comprimido, ou seja, é praticamente “isento de sódio”.
4.5. Interações medicamentosas e outras formas de interação
Dado que os inibidores da monoaminoxidase A e B também estimulam as vias catecolaminérgicas por mecanismos diferentes do bupropiom, está contraindicada a administração concomitante de Bupropiom Zentiva com inibidores da monoaninoxidase (IMAO’s) (ver secção 4.3), uma vez que há uma probabilidade aumentada de reações adversas resultante da sua administração concomitante. Deverão decorrer, pelo menos 14 dias entre a suspensão de IMAO’s irreversíveis e o início do tratamento com Bupropiom Zentiva. Para os IMAO’s reversíveis é suficiente um período de 24 horas.
Efeito do bupropiom noutros medicamentos Embora não seja metabolizada pela isoenzima CYP2D6, o bupropiom e o seu principal metabolito, hidroxibupropiom, inibem a via da CYP2D6. A administração concomitante de bupropiom e desipramina a voluntários saudáveis, que se sabe serem metabolizadores extensos da isoenzima CYP2D6, resultou num grande aumento (2 a 5 vezes) da Cmax e AUC da desipramina. A inibição da CYP2D6 manteve-se, pelo menos, durante 7 dias após a última administração de bupropiom. A terapêutica concomitante com medicamentos de estreito índice terapêutico, predominantemente metabolizados pela CYP2D6, deve ser iniciada pela dose terapêutica mais baixa do medicamento concomitante. Tais medicamentos incluem certos antidepressivos (p.e. desipramina, imipramina), antipsicóticos (p.e. risperidona, tioridazina), bloqueadores beta (p.e. metoprolol), inibidores seletivos de recaptação da serotonina (SSRIs) e antiarrítmicos Tipo 1C (p.e. propafenona, flecainida). Se Bupropiom Zentiva for adicionado a um esquema terapêutico que já inclua algum destes medicamentos, deve considerar-se a necessidade de redução da dose do medicamento inicial. Nestes casos, o benefício esperado do tratamento com Bupropiom Zentiva deverá ser cuidadosamente ponderado relativamente aos potenciais riscos. Existiram notificações de síndrome serotoninérgica, uma condição potencialmente fatal, quando bupropiom é administrado concomitantemente com um agente serotoninérgico, como ISRSs ou IRSNs (ver secção 4.4). Os medicamentos que necessitam de ativação metabólica pela CYP2D6 para serem eficazes (p.e. tamoxifeno), podem apresentar eficácia reduzida quando administrados concomitantemente com inibidores da CYP2D6 tais como o bupropiom (ver secção 4.4). Embora o citalopram (um SSRI) não seja predominantemente metabolizado pela isoenzima CYP2D6, num estudo, o bupropiom aumentou a Cmax e a AUC do citalopram em 30% e 40%, respetivamente. A administração concomitante de digoxina com bupropiom pode reduzir os níveis de digoxina. A AUC0- 24h da digoxina foi reduzida e a depuração renal aumentada em voluntários saudáveis, com base numa comparação de estudo cruzado. Os médicos devem estar alerta para o facto de os níveis de digoxina poderem aumentar na descontinuação do bupropiom e o doente deve ser monitorizado para possível toxicidade à digoxina.
Efeito de outros medicamentos no bupropiom O bupropiom é metabolizado no seu principal metabolito ativo, hidroxibupropiom, principalmente pelo citocromo P450 CYP2B6 (ver secção 5.2). A administração concomitante de medicamentos que possam afetar o metabolismo do bupropiom pela isoenzima CYP2B6 (p.e. substratos da CYP2B6: ciclofosfamida, ifosfamida e inibidores da CYP2B6: orfenadrina, ticlopidina, clopidogrel), pode resultar num aumento dos níveis plasmáticos do bupropiom e numa diminuição dos níveis do metabolito ativo, hidroxibupropiom. As consequências clínicas da inibição do metabolismo do bupropiom pela enzima CYP2B6, e as alterações consequentes na razão bupropiom-hidroxibupropiom, são atualmente desconhecidas. Uma vez que o bupropiom é extensamente metabolizado, deve ter-se especial cuidado quando o bupropiom é administrado concomitantemente com indutores do metabolismo (p.e. carbamazepina, fenitoína, ritonavir, efavirenz) ou inibidores do metabolismo (p.e. valproato), dado que podem afetar a sua eficácia clínica e segurança. Numa série de estudos em voluntários saudáveis, o ritonavir (100 mg duas vezes por dia ou 600 mg duas vezes por dia) ou ritonavir 100 mg mais lopinavir 400 mg, duas vezes por dia, reduziu a exposição do bupropiom e dos seus metabolitos principais de uma forma dose-dependente em aproximadamente 20 a 80% (ver secção 5.2). De igual forma, 600 mg de efavirenz, uma vez por dia, durante 2 semanas reduziram a exposição do bupropiom em aproximadamente 55% em voluntários saudáveis. As consequências clínicas da exposição reduzida não são claras, mas podem incluir eficácia reduzida no tratamento da depressão major. Os doentes tratados com qualquer um destes medicamentos e bupropiom poderão necessitar de um aumento da dose de bupropiom, no entanto a dose máxima recomendada de bupropiom não deverá ser excedida.
Informação sobre outras interações Recomenda-se precaução na administração de Bupropiom Zentiva a doentes em tratamento concomitante com levodopa ou amantadina. Dados clínicos limitados sugerem uma maior incidência de efeitos indesejáveis (p.e. náuseas, vómitos e efeitos do foro neuropsiquiátrico, ver secção 4.8) nos doentes em tratamento com bupropiom concomitantemente com levodopa ou amantadina. Apesar dos dados clínicos não indicarem uma interação farmacocinética entre o bupropiom e o álcool, existiram notificações raras de efeitos adversos neuropsiquiátricos ou tolerância reduzida ao álcool, em doentes que consumiram álcool durante o tratamento com bupropiom. O consumo de álcool durante o tratamento com Bupropiom Zentiva deve ser minimizado ou evitado. Não foram efetuados estudos farmacocinéticos com o bupropiom e a administração concomitante de benzodiazepinas. Tendo em consideração as vias metabólicas in vitro, não existem bases para que ocorra este tipo de interação. Após a administração concomitante do bupropiom com o diazepam em voluntários saudáveis, verificou-se uma sedação inferior comparativamente à administração isolada de diazepam. Não foi efetuada uma avaliação sistemática da administração concomitante de bupropiom e antidepressivos (diferentes da desipramina e citalopram), benzodiazepinas (diferentes do diazepam) ou neurolépticos. A experiência clínica com preparações de hipericão também é limitada. A administração concomitante de Bupropiom Zentiva e sistemas transdérmicos de nicotina (STN) pode originar um aumento da pressão arterial.
4.6. Fertilidade, gravidez e aleitamento
Gravidez Alguns estudos epidemiológicos de resultados na gravidez, após exposição materna ao bupropiom durante o primeiro trimestre, mostraram uma associação com risco acrescido de determinadas malformações congénitas cardiovasculares, principalmente defeitos septais ventriculares e defeitos cardíacos de escoamento esquerdo. Estes resultados não são consistentes entre estudos. Os estudos em animais não demonstram efeitos nocivos diretos ou indiretos no que respeita à toxicidade reprodutiva (ver secção 5.3). Bupropiom Zentiva não deve ser utilizado durante a gravidez a menos que o estado clínico da mulher exija tratamento com bupropiom e tratamentos alternativos não sejam uma opção.
Amamentação O bupropiom e os seus metabolitos são excretados no leite materno. A decisão de interromper a amamentação ou a terapêutica com Bupropiom Zentiva deverá ser tomada tendo em consideração o benefício da amamentação para o recém-nascido/lactente e o benefício da terapêutica com Bupropiom Zentiva para a mãe.
Fertilidade Não existem dados sobre o efeito do bupropiom na fertilidade humana. Um estudo de reprodução em ratos não revelou qualquer evidência de compromisso da fertilidade (ver secção 5.3).
4.7. Efeitos sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas
Tal como outros fármacos com ação sobre o SNC, o bupropiom poderá afetar a capacidade de realizar tarefas que requeiram discernimento ou destreza motora e cognitiva. Recomenda-se, portanto, precaução antes de conduzir ou utilizar máquinas até que o doente se assegure que Bupropiom Zentiva não influencia negativamente o seu desempenho.
4.8. Efeitos indesejáveis
Descrevem-se seguidamente os efeitos indesejáveis observados na experiência clínica, classificados por incidência e classes de sistemas de órgãos. Os efeitos indesejáveis estão classificados pela frequência, usando a seguinte convenção: Muito frequentes (≥ 1/10); frequentes (≥ 1/100 a < 1/10); pouco frequentes (≥ 1/1.000 a <1/100); raros (≥ 1/10.000 a < 1/1.000); muito raros (< 1/10.000); desconhecido (não pode ser calculado a partir dos dados disponíveis).
Doenças do sangue e do sistema Desconhecido Anemia, leucopenia e linfático trombocitopenia Doenças do sistema imunitário* Frequentes Reações de hipersensibilidade tais como urticária Muito raros Reações de hipersensibilidade mais graves, incluindo angioedema, dispneia/broncospasmo e choque anafilático. Foram também notificadas artralgia, mialgia e febre associadas a erupções cutâneas e outros sintomas sugestivos de hipersensibilidade retardada. Estes sintomas podem assemelhar-se à doença do soro. Doenças do metabolismo e da Frequentes Anorexia nutrição Pouco frequentes Perda de peso Muito raros Alterações da glicémia Desconhecido Hiponatremia Perturbações do foro Muito frequentes Insónia (ver secção 4.2) psiquiátrico Frequentes Agitação, ansiedade Pouco frequentes Depressão (ver secção 4.4), confusão Muito raros Agressão, hostilidade, irritabilidade, agitação, alucinações, sonhos anómalos incluindo pesadelos, despersonalização, delírio, ideação paranoica Desconhecido Ideação suicida e comportamento suicida***, psicose, disfemia, ataque de pânico Doenças do sistema nervoso Muito frequentes Cefaleias Frequentes Tremor, tonturas, alterações do paladar Pouco frequentes Perturbações da concentração Raros Convulsões (ver abaixo)** Muito raros Distonia, ataxia, parkinsonismo, descoordenação, perda de memória, parestesia, síncope Desconhecido Síndrome serotoninérgica**** Afeções oculares Frequentes Alterações da visão Afeções do ouvido e do labirinto Frequentes Zumbidos Cardiopatias Pouco frequentes Taquicardia Muito raros Palpitações Vasculopatias Frequentes Aumento da pressão arterial (algumas vezes grave), rubor Muito raros Vasodilatação, hipotensão ortostática Doenças gastrointestinais Muito frequentes Xerostomia, perturbações gastrointestinais incluindo náuseas e vómitos Frequentes Dor abdominal, obstipação Afeções hepatobiliares Muito raros Elevação das enzimas hepáticas, icterícia, hepatite Afeções dos tecidos cutâneos e Frequentes Erupções cutâneas, prurido, subcutâneos* suores Muito raros Eritema multiforme, síndrome de Stevens-Johnson, exacerbação da psoríase, alopécia Desconhecido Síndrome de lúpus eritematoso sistémico em fase de agravamento, lúpus eritematoso cutâneo, pustulose exantemosa generalizada aguda, necrólise epidérmica tóxica, reação a fármaco com eosinofilia e sintomas sistémicos Afeções musculoesqueléticas e Muito raros Contrações do tecido conjuntivo Doenças renais e urinárias Muito raros Frequência e/ou retenção urinária, incontinência urinária Perturbações gerais e alterações Frequentes Febre, dor torácica, astenia no local de administração * A hipersensibilidade pode manifestar-se como reações cutâneas. Ver “Doenças do sistema imunitário” e “Afeções dos tecidos cutâneos e subcutâneos”. ** A incidência de convulsões é, aproximadamente, de 0,1% (1/1.000). O tipo de convulsão mais comum é a crise generalizada tónico-clónica, um tipo de convulsão que pode resultar, em alguns casos, em confusão pós-ictal ou perda de memória (ver secção 4.4). *** Foram notificados casos de ideação/comportamento suicida durante o tratamento com bupropiom ou imediatamente após a sua suspensão (ver secção 4.4). **** Síndrome serotoninérgica pode ocorrer como consequência da interação entre o bupropiom e um medicamento serotoninérgico, como os ISRSs ou IRSNs (ver secção 4.4).
Notificação de suspeitas de reações adversas A notificação de suspeitas de reações adversas após a autorização do medicamento é importante, uma vez que permite uma monitorização contínua da relação benefício-risco do medicamento. Pede-se aos profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas diretamente ao
Sítio da internet: http://www.infarmed.pt/web/infarmed/submissaoram (preferencialmente) ou através dos seguintes contactos: Direção de Gestão do Risco de Medicamentos Parque da Saúde de Lisboa, Av. Brasil 53 1749-004 Lisboa Tel: +351 21 798 73 73 Linha do Medicamento: 800222444 (gratuita) E-mail: [email protected]
4.9. Overdose
Sintomas Foram notificados casos de ingestão aguda de doses superiores a 10 vezes a dose terapêutica máxima. Para além dos eventos descritos como efeitos indesejáveis, a sobredosagem manifestou-se por sintomas como sonolência, perda de consciência e/ou alterações no eletrocardiograma (ECG), tais como perturbações na condução (incluindo o prolongamento do complexo QRS), arritmias e taquicardia. Também foram notificados casos de prolongamento QTc, contudo, foram maioritariamente notificados em associação com prolongamento do complexo QRS e um aumento da frequência cardíaca. Apesar da maioria dos doentes recuperar sem sequelas, foram notificados, raramente, casos de morte associados ao bupropiom, em doentes que tomaram elevadas sobredosagens do fármaco. O síndrome serotoninérgica foi também reportado.
Tratamento Em situação de sobredosagem recomenda-se internamento hospitalar. Devem monitorizar-se os sinais vitais e o ECG. Deverá ser assegurada uma via respiratória adequada, oxigenação e ventilação. A administração de carvão ativado está recomendada. Não se conhece um antídoto específico para o bupropiom. O tratamento adicional deverá ser efetuado conforme clinicamente indicado.
5. PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS
5.1. Propriedades farmacodinâmicas
Grupo farmacoterapêutico: 2.9.3 – Antidepressores, Sistema Nervoso Central. Psicofármacos. Antidepressores; código ATC: N06AX12.
Mecanismo de ação O bupropiom é um inibidor seletivo da recaptação neuronal das catecolaminas (noradrenalina e dopamina), com efeito mínimo na recaptação das indolaminas (serotonina) e sem efeito de inibição da monoaminoxidase. Desconhece-se o mecanismo de ação do bupropiom como um antidepressivo. No entanto, presume-se que esta ação seja mediada por mecanismos noradrenérgicos e/ou dopaminérgicos.
Eficácia clínica A atividade antidepressiva do bupropiom foi estudada num programa clínico envolvendo um total de 1.155 doentes tratados com bupropiom (comprimidos de libertação modificada) e 1.868 doentes tratados com bupropiom (comprimidos de libertação prolongada) com perturbação de depressão major (MDD). 7 dos estudos examinaram a eficácia de bupropiom (comprimidos de libertação modificada): 3 foram realizados na Europa em doses até 300 mg/dia e 4 foram realizados nos EUA com um intervalo de doses flexível até 450 mg/dia. Adicionalmente, 9 estudos com bupropiom (comprimidos de libertação prolongada) na MDD foram considerados como sendo sustentadores, com base na bioequivalência do comprimido de bupropiom (comprimidos de libertação modificada) (uma vez ao dia) relativamente ao de libertação prolongada (duas vezes ao dia). Num dos 2 estudos idênticos utilizando doses no intervalo 150 - 300 mg, o bupropiom (comprimidos de libertação modificada) demonstrou superioridade estatística relativamente ao placebo, conforme medido pela melhoria na pontuação total da Escala de Depressão Montgomery-Asberg (MADRS). As taxas de resposta e remissão foram também estatisticamente significativamente superiores com bupropiom (comprimidos de libertação modificada) em comparação com placebo. Num terceiro estudo com doentes idosos, não foi atingida superioridade estatística em relação ao placebo no que respeita ao parâmetro primário, alteração média a partir dos valores iniciais da MADRS (última observação efetuada antes do ponto terminal), no entanto foram observados efeitos estatisticamente significativos numa análise secundária (caso observado). Em 2 de 4 estudos realizados nos EUA com bupropiom (comprimidos de libertação modificada) (300 - 450 mg), foi demonstrado benefício significativo no objetivo primário. Dos 2 estudos positivos, um tratava-se de um estudo controlado com placebo em doentes com MDD e outro um estudo com comparador ativo em doentes com MDD. Num estudo de prevenção da recorrência, os doentes que responderam ao tratamento agudo durante 8 semanas com bupropiom (comprimidos de libertação prolongada) (300 mg/dia) em fase aberta foram aleatorizados para bupropiom (comprimidos de libertação prolongada) ou placebo durante um período adicional de 44 semanas. Bupropiom (comprimidos de libertação prolongada) demonstrou superioridade estatisticamente significativa em comparação com placebo (p < 0,05) relativamente ao objetivo primário. A incidência da manutenção do efeito durante o período de follow-up em dupla ocultação de 44 semanas foi de 64% e 48% para o bupropiom (comprimidos de libertação prolongada) e o placebo respetivamente.
Segurança clínica Prospectivamente, a proporção observada de defeitos congénitos cardíacos em gravidezes com exposição pré-natal ao bupropiom no primeiro trimestre no registo de gravidez internacional foi de 9/675 (1,3%). Num estudo retrospetivo não existiu uma maior proporção de malformações congénitas ou malformações cardiovasculares entre as mais de mil exposições ao bupropiom no primeiro trimestre comparativamente com a utilização de outros antidepressivos. Numa análise retrospetiva que utilizou dados do National Birth Defects Prevention Study, foi observada uma associação estatisticamente significativa entre a ocorrência, no lactente, de defeitos cardíacos de escoamento esquerdo e o autorrelato de utilização de bupropiom no início da gravidez. Não foi observada qualquer associação entre a utilização materna de bupropiom e qualquer outro tipo de defeito cardíaco ou com a combinação de todas as categorias de defeitos cardíacos. Uma nova análise de dados do Slone Epidemiology Center Birth Defects Study não encontrou qualquer aumento estatisticamente significativo de defeitos cardíacos de escoamento esquerdo com a utilização materna de bupropiom. Contudo, foi observada uma associação estatisticamente significativa para defeitos septais ventriculares após a utilização isolada de bupropiom durante o primeiro trimestre. Num estudo em voluntários saudáveis, não foi observado qualquer efeito clinicamente significativo no intervalo QTcF após 14 dias de administração até ao estado estacionário de comprimidos de libertação modificada de bupropiom (450 mg/dia), quando comparado com o placebo.
5.2. Propriedades farmacocinéticas
Absorção Após administração oral diária de 300 mg de cloridrato de bupropiom, sob a forma de comprimido de libertação modificada, a voluntários saudáveis, observaram-se concentrações plasmáticas máximas (Cmax) de aproximadamente 160 ng/ml, após cerca de 5 horas. No estado estacionário, os valores da Cmax e da AUC observados para o hidroxibupropiom são, respetivamente, cerca de 3 e 14 vezes superiores aos obtidos para o bupropiom. A Cmax do treohidrobupropiom no estado estacionário, é comparável à do bupropiom, e a AUC é aproximadamente 5 vezes superior, enquanto as concentrações plasmáticas do eritrohidrobupropiom são comparáveis às do bupropiom. Os níveis plasmáticos máximos de hidroxibupropiom são atingidos após cerca de 7 horas, enquanto para o treohidrobupropiom e eritrohidrobupropiom são atingidos após cerca de 8 horas. Os valores da AUC e da Cmax obtidos para o bupropiom e seus metabolitos ativos, hidroxibupropiom e treohidrobupropiom, aumentaram proporcionalmente à dose no intervalo de 50-200 mg, após administração de uma dose única e no intervalo de 300 – 450 mg por dia, após administração crónica. Não se conhece a biodisponibilidade absoluta de bupropiom; no entanto, os dados da excreção urinária mostram que, pelo menos 87% da dose de bupropiom é absorvida. A absorção dos comprimidos de libertação modificada de bupropiom não é significativamente influenciada pela administração conjunta de alimentos.
Distribuição O bupropiom é largamente distribuído, com um volume de distribuição aparente de aproximadamente 2.000 l. O bupropiom, o hidroxibupropiom e o treohidrobupropiom ligam-se moderadamente às proteínas plasmáticas (84%, 77% e 42%, respetivamente). O bupropiom e os seus metabolitos ativos são excretados no leite materno humano. Estudos efetuados em animais mostram que o bupropiom e os seus metabolitos ativos atravessam a barreira hemato-encefálica e a placenta. Estudos de Tomografia de Emissão de Positrões em voluntários saudáveis demonstraram que o bupropiom penetra o SNC e liga-se aos transportadores estriados da recaptação da dopamina (cerca de 25% com 150 mg duas vezes ao dia).
Biotransformação No ser humano, o bupropiom é extensamente metabolizado. Foram identificados no plasma três metabolitos farmacologicamente ativos: hidroxibupropiom e os isómeros amino-álcool, treohidrobupropiom e eritrohidrobupropiom. Este facto poderá ter importância clínica, uma vez que as suas concentrações plasmáticas são tão ou mais elevadas que as do bupropiom. Os metabolitos ativos são posteriormente metabolizados em metabolitos inativos (alguns não estão completamente caracterizados, mas poderão incluir conjugados) e excretados na urina. Estudos in vitro indicam que o bupropiom é metabolizado no seu principal metabolito ativo, hidroxibupropiom, essencialmente pela isoenzima CYP2B6, enquanto as isoenzimas CYP1A2, 2A6, 2C9, 3A4 e 2E1 estão menos envolvidos. Contrariamente, a formação de treohidrobupropiom envolve a redução do grupo carbonilo, mas sem envolvimento das isoenzimas do citocromo P450 (ver secção 4.5.). O bupropiom e o hidroxibupropiom são inibidores da isoenzima CYP2D6, apresentando valores de Ki de 21 e 13,3 μM, respetivamente (ver secção 4.5). O bupropiom mostrou induzir o seu próprio metabolismo após administração subcrónica no animal. No ser humano, não há evidência de indução enzimática do bupropiom ou do hidroxibupropiom em voluntários ou em doentes em tratamento com as doses recomendadas de cloridrato de bupropiom, durante 10 a 45 dias.
Eliminação Após administração oral de 200 mg de 14C-bupropiom no ser humano, foram recuperadas 87% e 10% da dose radioativa na urina e fezes, respetivamente. A fração da dose de bupropiom excretada na forma inalterada foi de apenas 0,5%, um dado consistente com a extensiva metabolização do bupropiom. Menos de 10% da dose de 14C administrada foi detetada na urina, na forma de metabolitos ativos. Após administração oral de cloridrato de bupropiom, a depuração média aparente é de aproximadamente 200 l/h e o tempo de semivida de eliminação médio é de, aproximadamente, 20 horas. O tempo de semivida de eliminação do hidroxibupropiom é de, aproximadamente, 20 horas. Os tempos de semivida de eliminação do treohidrobupropiom e do eritrohidrobupropiom são superiores (37 e 33 horas, respetivamente), e os valores da AUC no estado estacionário são, respetivamente, 8 e 1,6 vezes superiores aos do bupropiom. O estado estacionário para o bupropiom e seus metabolitos é atingido em 8 dias. A matriz insolúvel dos comprimidos de libertação modificada pode permanecer intacta durante o trânsito gastrointestinal e ser eliminada nas fezes.
Grupos especiais de doentes Compromisso renal A eliminação do bupropiom e dos seus principais metabolitos ativos poderá estar diminuída nos doentes com compromisso renal. Dados limitados de doentes com falência renal em fase terminal ou com compromisso renal moderada a grave, indicam que a exposição ao bupropiom e/ou aos seus metabolitos estava aumentada. (ver secção 4.4).
Compromisso hepático A farmacocinética do bupropiom e dos seus metabolitos ativos não apresentou diferenças estatisticamente significativas nos doentes com cirrose ligeira a moderada quando comparada a voluntários saudáveis, apesar de se ter observado uma maior variabilidade interindividual nestes doentes (ver secção 4.4). Nos indivíduos com cirrose hepática grave, a Cmax e AUC do bupropiom estavam substancialmente aumentadas (diferença média de cerca de 70% e de 3 vezes, respetivamente) e variaram mais comparativamente aos valores obtidos em voluntários saudáveis; o tempo de semivida médio foi também superior (em aproximadamente 40%). Para o hidroxibupropiom, a Cmax média foi inferior (em aproximadamente 70%), a AUC média tendeu a ser superior (em aproximadamente 30%), o Tmax médio foi prolongado (em aproximadamente 20 horas) e o tempo de semivida médio foi superior (em aproximadamente 4 vezes), comparativamente a voluntários saudáveis. Para o treohidrobupropiom e eritrohidrobupropiom, a Cmax média tendeu a ser inferior (em aproximadamente 30%), a AUC média tendeu a ser superior (em aproximadamente 50 %), o Tmax médio foi prolongado (em aproximadamente 20 horas) e o tempo de semivida médio foi superior (em aproximadamente 2 vezes), comparativamente a voluntários saudáveis (ver secção 4.3).
Idosos Os estudos de farmacocinética no idoso mostraram resultados variáveis. Um estudo de dose única mostrou que a farmacocinética do bupropiom e dos seus metabolitos nos idosos não difere da dos adultos jovens. Outro estudo farmacocinético de dose única e múltipla sugeriu que, nos idosos, poderá ocorrer acumulação do bupropiom e dos seus metabolitos em maior grau. A experiência clínica não identificou diferenças na tolerabilidade do bupropiom entre indivíduos idosos e jovens, no entanto, não deverá ser excluída a sensibilidade aumentada nos idosos (ver secção 4.4).
Libertação in-vitro de bupropiom com álcool Os testes in-vitro mostraram que em concentrações elevadas de álcool (até 40%), o bupropiom é libertado mais rapidamente da formulação de libertação modificada (até 20% dissolvido em 2 horas) (ver secção 4.5).
5.3. Dados de segurança pré-clínica
Estudos de toxicidade reprodutiva realizados em ratos com exposições semelhantes às obtidas na dose máxima recomendada no ser humano (com base na informação sobre exposição sistémica) não indicam quaisquer efeitos adversos na fertilidade, gravidez e desenvolvimento fetal. Estudos de toxicidade reprodutiva realizados em coelhos tratados com doses até 7 vezes a dose máxima recomendada no ser humano baseada num ponto de partida de mg/m2 (não está disponível informação sobre exposição sistémica) indicaram apenas um ligeiro aumento de alterações esqueléticas (aumento da incidência de uma alteração anatómica comum de uma costela torácica acessória e atraso na ossificação das falanges). Além disso, em doses tóxicas maternas, foi notificado um decréscimo do peso fetal de coelhos. Em estudos no animal, o bupropiom, em doses várias vezes superiores à dose terapêutica no ser humano, causou, entre outros, os seguintes sintomas relacionados com a dose: ataxia e convulsões no rato, fraqueza geral, tremores e emese no cão e aumento da mortalidade em ambas as espécies. Devido à existência de indução enzimática no animal, mas não no ser humano, as exposições sistémicas no animal foram semelhantes às exposições sistémicas observadas no ser humano, para a dose máxima recomendada. Foram observadas alterações hepáticas em estudos no animal, contudo, estas alterações refletem a ação de um indutor das enzimas hepáticas. No ser humano, o bupropiom utilizado nas doses recomendadas, não induz o seu próprio metabolismo, o que sugere que os resultados a nível hepático no animal são de importância limitada na avaliação e determinação do risco do bupropiom. Os resultados dos estudos de genotoxicidade indicam que o bupropiom é um fraco mutagénico bacteriano, mas não apresenta mutagenicidade em células de mamíferos, não sendo por isso um agente genotóxico humano. Estudos no rato e no ratinho confirmam a ausência de carcinogenicidade nestas espécies.
6. INFORMAÇÕES FARMACÊUTICAS
6.1. Lista dos excipientes
Núcleo do comprimido Povidona Cloridrato de cisteína mono-hidratado Sílica coloidal anidra Dibehenato de glicerilo Estearato de magnésio (E 470b)
Revestimento do comprimido Primeiro revestimento: Etilcelulose Povidona Macrogol
Segundo revestimento: Copolímero de ácido metacrílico-acrilato de etilo (1:1) Laurilsulfato de sódio Polissorbato 80 Sílica coloidal hidratada Macrogol Citrato de trietilo
Tinta de impressão Shellac Óxido de ferro preto (E172) Propilenoglicol (E1520)
6.2. Incompatibilidades
Não aplicável.
6.3. Prazo de validade
3 anos.
6.4. Precauções especiais de conservação
Este medicamento não necessita de precauções especiais de conservação.
6.5. Natureza e conteúdo do recipiente
Blister: blister OPA/Alu/PVC-Alu contendo 7, 30, 60 e 90 comprimidos. Também disponível em blister unidose OPA/Alu/PVC-Alu contendo 30x1 comprimidos. É possível que não sejam comercializadas todas as apresentações.
6.6. Precauções especiais de eliminação
Não existem requisitos especiais para a eliminação.
7. TITULAR DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO
Zentiva Portugal, Lda. Miraflores Premium I Alameda Fernão Lopes, 16 A - 8º piso A 1495-190 Algés
8. NÚMEROS DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO
Registo nº xxxxxxx no INFARMED, I.P. – embalagem de 7 comprimidos de libertação modificada Registo nº 5838933 no INFARMED, I.P. – embalagem de 30 comprimidos de libertação modificada Registo nº xxxxxxx no INFARMED, I.P. – embalagem de 60 comprimidos de libertação modificada Registo nº xxxxxxx no INFARMED, I.P. – embalagem de 90 comprimidos de libertação modificada Registo nº 5838925 no INFARMED, I.P. – embalagem de 30x1 comprimidos de libertação modificada
9. DATA DA PRIMEIRA AUTORIZAÇÃO/RENOVAÇÃO DA AUTORIZAÇÃO DE
INTRODUÇÃO NO MERCADO
Data da primeira autorização: 15 julho 2022 Data da última renovação: 10 fevereiro 2023
