Quetiapina Aurovitas MG
APROVADO EM 16-10-2024 INFARMED
Folheto informativo: Informação para o utilizador Quetiapina Aurovitas 25 mg comprimidos revestidos por película Quetiapina Aurovitas 100 mg comprimidos revestidos por película Quetiapina Aurovitas 150 mg comprimidos revestidos por película Quetiapina Aurovitas 200 mg comprimidos revestidos por película Quetiapina Aurovitas 300 mg comprimidos revestidos por película quetiapina Leia com atenção todo este folheto antes de começar a tomar este medicamento, pois contém informação importante para si. – Conserve este folheto. Pode ter necessidade de o ler novamente. – Caso ainda tenha dúvidas, fale com o seu médico ou farmacêutico. – Este medicamento foi receitado apenas para si. Não deve dá-lo a outros. O medicamento pode ser-lhes prejudicial mesmo que apresentem os mesmos sinais de doença. – Se tiver quaisquer efeitos indesejáveis, incluindo possíveis efeitos indesejáveis não indicados neste folheto, fale com o seu médico ou farmacêutico. Ver secção 4. O que contém este folheto:
1. O que é Quetiapina Aurovitas e para que é utilizado
2. O que precisa de saber antes de tomar Quetiapina Aurovitas
3. Como tomar Quetiapina Aurovitas
4. Efeitos indesejáveis possíveis
5. Como conservar Quetiapina Aurovitas
6. Conteúdo da embalagem e outras informações
1. O que é Quetiapina Aurovitas e para que é utilizado
Quetiapina Aurovitas contém uma substância designada por quetiapina. Este pertence a um grupo de medicamentos designados por antipsicóticos. Quetiapina Aurovitas pode ser usado para tratar várias doenças, tais como: ● Depressão bipolar: onde se sente triste. Pode achar que se sente deprimido, culpado, com falta de energia, com perda de apetite ou que não consegue dormir. ● Mania: onde pode sentir-se muito excitado, eufórico, agitado, entusiástico ou hiperativo ou ter pouco discernimento incluindo ser agressivo ou ter comportamentos disruptivos. ● Esquizofrenia: onde pode ouvir ou sentir coisas que não estão presentes, acreditar em coisas que não são reais ou sentir-se invulgarmente desconfiado, ansioso, confuso, culpado, tenso ou deprimido. O seu médico pode continuar a prescrever-lhe Quetiapina Aurovitas ainda que se sinta melhor.
2. O que precisa de saber antes de tomar Quetiapina Aurovitas
Não tome Quetiapina Aurovitas: ● Se tem alergia à quetiapina ou a qualquer outro componente deste medicamento (indicados na secção 6). ● Se está a tomar algum dos seguintes medicamentos: – alguns medicamentos para o VIH – medicamentos do tipo azol (para infeções fúngicas) – eritromicina ou claritromicina (para infeções) – nefazodona (para a depressão) APROVADO EM 16-10-2024 INFARMED
Caso tenha dúvidas, fale com o seu médico ou farmacêutico antes de tomar Quetiapina Aurovitas.
Advertências e precauções
Fale com o seu médico ou farmacêutico antes de tomar Quetiapina Aurovitas: ● Se tem, ou se alguém da sua família tem ou já teve, problemas cardíacos, por exemplo problemas de ritmo cardíaco, fraqueza do músculo cardíaco ou inflamação do coração, ou se está a tomar qualquer medicamento que possa ter um impacto no seu ritmo cardíaco. ● Se tem pressão arterial baixa. ● Se teve um acidente vascular cerebral (AVC), especialmente se for idoso. ● Se tem problemas de fígado. ● Se teve alguma vez um ataque epilético (convulsões). ● Se tem diabetes ou risco de ter diabetes. Nestes casos, o seu médico poderá monitorizar os seus níveis de açúcar no sangue enquanto estiver a tomar Quetiapina Aurovitas. ● Se sabe que no passado teve níveis baixos de glóbulos brancos no sangue (que podem ter sido originados ou não por outros medicamentos). ● Se é uma pessoa idosa com demência (perda da função cerebral). Se é, Quetiapina Aurovitas não deve ser tomado isto porque Quetiapina Aurovitas pertence a um grupo de medicamentos que pode aumentar o risco de acidente vascular cerebral (AVC), ou em alguns casos o risco de morte, em pessoas idosas com demência. ● Se é uma pessoa idosa com doença de Parkinson/parkinsonismo. ● Se tem, ou alguém na sua família tem antecedentes (ou história) de coágulos no sangue, uma vez que este tipo de medicamentos está associado à formação de coágulos sanguíneos. ● Se tem ou teve situações em que para de respirar por curtos períodos durante o sono noturno normal (condição denominada de "apneia do sono") e está a tomar medicamentos que retardam a atividade normal do cérebro (depressores). ● Se tem ou teve situações em que não consegue esvaziar completamente a sua bexiga (retenção urinária), tem aumento da próstata, bloqueio nos intestinos, ou aumento da pressão dentro do seu olho. Estas condições são por vezes causadas por medicamentos (denominados "anticolinérgicos") que afetam o modo de funcionamento das células nervosas no sentido de tratar certas condições médicas. ● Se tem história de abuso de álcool ou drogas. ● Se tiver depressão ou outras condições que sejam tratadas com antidepressivos. A utilização destes medicamentos em conjunto com Quetiapina Aurovitas pode dar origem a síndrome serotoninérgica, uma condição potencialmente fatal (ver “Outros medicamentos e Quetiapina Aurovitas”). Informe o seu médico imediatamente se sentir qualquer uma das seguintes situações após tomar Quetiapina Aurovitas: ● Uma combinação de febre, rigidez muscular grave, sudação ou um nível de consciência diminuído (uma doença chamada “síndrome maligna dos neurolépticos”). Poderá ser necessário tratamento médico imediato. ● Movimentos incontroláveis, principalmente a sua face ou língua. ● Tontura ou uma sensação de sonolência de intensidade grave. Esta pode aumentar o risco de ferimentos acidentais (quedas) em doentes idosos. ● Espasmos (convulsões). ● Uma ereção dolorosa e prolongada (priapismo). ● Tem um batimento cardíaco rápido e irregular, mesmo quando está em repouso, palpitações, problemas respiratórios, dor no peito ou cansaço inexplicável. O seu médico terá de verificar o seu coração e, se necessário, encaminhá-lo imediatamente para um cardiologista. Estas situações podem ser causadas por este tipo de medicamento. APROVADO EM 16-10-2024 INFARMED
Informe o seu médico assim que possível se tem: ● Febre, sintomas gripais, dor de garganta ou qualquer outra infeção, uma vez que estes sintomas podem resultar de níveis muito baixos de glóbulos brancos no sangue, o que pode implicar a interrupção do tratamento com Quetiapina Aurovitas e/ou a aplicação de tratamento. ● Prisão de ventre com dores abdominais persistentes ou prisão de ventre que não respondeu ao tratamento, uma vez que esta situação pode levar a um bloqueio mais grave do intestino. ● Pensamentos suicidas e agravamento da sua depressão Se está deprimido pode por vezes ter pensamentos de autoflagelação ou de cometer suicídio. Estes pensamentos podem aumentar na primeira vez que fizer o tratamento, pois estes medicamentos demoram algum tempo a atuar, usualmente duas semanas, mas por vezes podem demorar mais tempo. Estes pensamentos podem aumentar caso pare de tomar a sua medicação de forma abrupta. Pode ser mais provável ter estes pensamentos se for um jovem adulto. Dados retirados de ensaios clínicos demonstraram um risco aumentado de pensamentos suicidas e/ou comportamento suicida em jovens adultos com idade inferior a 25 anos com depressão. Se tem pensamentos de autoflagelação ou de cometer suicídio em qualquer momento, contacte o seu médico ou dirija-se a um hospital imediatamente. Poderá achar útil contar a um amigo ou familiar que está deprimido e pedir-lhes para ler este folheto informativo. Pode pedir-lhes para lhe dizerem se acham que a sua depressão está a agravar-se ou se estão preocupados com as alterações do seu comportamento. Reações adversas cutâneas graves (RACGs) Têm sido notificadas reações adversas cutâneas graves (RACGs) muito raramente com o tratamento com este medicamento, que podem ser fatais. Estas são comumente manifestados por: ● síndrome de Stevens-Johnson (SJS), uma erupção cutânea generalizada com bolhas e descamação da pele, particularmente ao redor da boca, nariz, olhos e genitais ● necrólise epidérmica tóxica (TEN), uma forma mais grave que causa descamação extensa do pele ● Reação Medicamentosa com Eosinofilia e Sintomas Sistémicos (DRESS), consiste em sintomas semelhantes aos da gripe com erupção cutânea, febre, glândulas inchadas e resultados anormais de exames de sangue (incluindo aumento de glóbulos brancos (eosinofilia) e enzimas hepáticas) ● Pustulose generalizada exantemática aguda (AGEP), pequenas bolhas cheias de pus • Eritema multiforme (EM), erupção na pele com manchas irregulares vermelho- pruriginosas. Pare de tomar quetiapina se tiver estes sintomas e contacte o seu médico ou procure assistência médica imediatamente. Aumento de peso Foi observado aumento de peso em doentes a tomarem quetiapina. Você e o seu médico deverão verificar regularmente o seu peso. Crianças e adolescentes Quetiapina Aurovitas não é indicado para crianças e adolescentes com menos de 18 anos de idade. Outros medicamentos e Quetiapina Aurovitas Informe o seu médico ou farmacêutico se estiver a tomar, tiver tomado recentemente ou se vier a tomar outros medicamentos. Não tome Quetiapina Aurovitas se estiver a tomar algum dos seguintes medicamentos: APROVADO EM 16-10-2024 INFARMED
● Alguns medicamentos para o VIH. ● Medicamentos do tipo azol (para infeções fúngicas). ● Eritromicina ou claritromicina (para infeções). ● Nefazodona (para a depressão). Informe o seu médico se estiver a tomar algum dos seguintes medicamentos: ● Medicamentos para a epilepsia (tais como fenitoína ou carbamazepina). ● Medicamentos para a pressão arterial elevada. ● Barbitúricos (para dificuldade em dormir). ● Tioridazina ou lítio (outros medicamentos antipsicóticos). ● Medicamentos que possam ter um impacto no seu ritmo cardíaco, por exemplo, medicamentos que provocam um desequilíbrio nos eletrólitos (baixos níveis de potássio e magnésio) tais como diuréticos (medicamentos para urinar) ou certos antibióticos (medicamentos para tratar infeções). ● Medicamentos que podem causar prisão de ventre. ● Medicamentos (denominados “anticolinérgicos”) que afetam o modo de funcionamento das células nervosas no sentido de tratar certas condições médicas. ● Antidepressivos. Estes medicamentos podem interagir com Quetiapina Aurovitas e poderá apresentar sintomas como contrações ritmadas e involuntárias dos músculos, incluindo os músculos que controlam os movimentos dos olhos, agitação, alucinações, coma, sudação excessiva, tremor, reflexos exagerados, tensão muscular aumentada e/ou temperatura corporal acima dos 38 °C (síndrome serotoninérgica). Contacte o seu médico se apresentar estes sintomas. Fale primeiro com o seu médico, antes de parar de tomar qualquer um dos seus medicamentos. Quetiapina Aurovitas com alimentos, bebidas e álcool ● Quetiapina Aurovitas pode ser tomado com ou sem alimentos. ● Tenha cuidado com a quantidade de álcool que bebe. O efeito combinado de Quetiapina Aurovitas e álcool pode fazer com que se sinta sonolento. ● Não deve beber sumo de toranja enquanto estiver a tomar Quetiapina Aurovitas. Pode afetar a forma como o medicamento atua. Gravidez, amamentação e fertilidade Se está grávida ou a amamentar, se pensa estar grávida ou planeia engravidar, consulte o seu médico ou farmacêutico antes de tomar este medicamento. Não deve tomar Quetiapina Aurovitas durante a gravidez, a não ser que já tenha discutido este assunto com o seu médico. Não deve tomar Quetiapina Aurovitas se estiver a amamentar. Os seguintes sintomas que podem representar abstinência podem ocorrer em recém- nascidos cujas mães utilizaram Quetiapina Aurovitas no terceiro trimestre (últimos três meses de gravidez): tremor, fraqueza e/ou rigidez muscular, sonolência, agitação, problemas respiratórios e dificuldades na alimentação. Se o seu bebé desenvolver qualquer um destes sintomas pode ter necessidade de contactar o seu médico. Condução de veículos e utilização de máquinas Os seus comprimidos podem fazê-lo sentir-se sonolento. Não deve conduzir ou utilizar quaisquer ferramentas ou máquinas antes de saber como os seus comprimidos o afetam. Efeito nas análises medicamentosas à urina Se vai fazer uma análise medicamentosa à urina, tomar Quetiapina Aurovitas pode originar resultados positivos para a metadona ou para alguns medicamentos para a depressão, chamados antidepressivos tricíclicos (ATCs), quando são utilizados alguns métodos de análise, mesmo que não esteja a tomar metadona ou ATCs. É recomendada a confirmação dos resultados com testes mais específicos, se tal acontecer. APROVADO EM 16-10-2024 INFARMED
Quetiapina Aurovitas contém lactose que é um tipo de açúcar. Se foi informado pelo seu médico que tem intolerância a alguns açúcares, contacte-o antes de tomar este medicamento. Sódio Este medicamento contém menos do que 1 mmol (23 mg) de sódio por comprimido, ou seja, é praticamente "isento de sódio".
3. Como tomar Quetiapina Aurovitas
Tome este medicamento exatamente como indicado pelo seu médico ou farmacêutico. Fale com o seu médico ou farmacêutico se tiver dúvidas. O seu médico decidirá qual a dose inicial. A dose de manutenção (dose diária) irá depender da sua doença e das suas necessidades, mas será, geralmente, entre 150 mg e 800 mg. ● Irá tomar os seus comprimidos uma vez ao dia, ao deitar, ou duas vezes ao dia, consoante a sua doença. ● Engula os comprimidos inteiros com água. ● Pode tomar os seus comprimidos com ou sem alimentos. ● Não beba sumo de toranja enquanto estiver a tomar Quetiapina Aurovitas. Pode afetar a forma como o medicamento atua. ● Não pare de tomar os comprimidos mesmo que se esteja a sentir bem, a não ser que o seu médico o recomende. Problemas de fígado Se tiver problemas de fígado, o seu médico poderá alterar a sua dose. Pessoas idosas Se for idoso o seu médico poderá alterar a sua dose. Utilização em crianças e adolescentes Quetiapina Aurovitas não deve ser utilizado por crianças e adolescentes com idade inferior a 18 anos. Se tomar mais Quetiapina Aurovitas do que deveria Se tomou mais Quetiapina Aurovitas do que o que lhe foi prescrito pelo médico, poderá sentir sonolência, sentir tonturas e ter um batimento cardíaco anormal. Contacte imediatamente o seu médico ou dirija-se ao hospital mais próximo. Mantenha os comprimidos de Quetiapina Aurovitas consigo. Caso se tenha esquecido de tomar Quetiapina Aurovitas Se se esqueceu de tomar uma dose, tome-a assim que se lembrar. No entanto, se estiver quase na altura de tomar a dose seguinte, aguarde até à próxima dose. Não tome uma dose a dobrar para compensar um comprimido que se esqueceu de tomar. Se parar de tomar Quetiapina Aurovitas Se parar de tomar Quetiapina Aurovitas repentinamente, poderá não conseguir dormir (insónias), ou poderá sentir-se enjoado (náuseas) ou poderá sentir dores de cabeça, diarreia, vómitos, tonturas ou irritabilidade. O seu médico poderá sugerir que reduza a dose gradualmente antes de interromper o tratamento. Caso ainda tenha dúvidas sobre a utilização deste medicamento, fale com o seu médico ou farmacêutico.
4. Efeitos indesejáveis possíveis
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Como todos os medicamentos, este medicamento pode causar efeitos indesejáveis, embora estes não se manifestem em todas as pessoas. Muito frequentes (podem afetar mais de 1 em cada 10 pessoas): ● Tonturas (pode originar quedas), dor de cabeça, boca seca. ● Sensação de sonolência (o que poderá desaparecer ao longo do tempo, durante o tratamento com Quetiapina Aurovitas) (pode originar quedas). ● Sintomas de abstinência da terapêutica (sintomas que ocorrem quando para de tomar Quetiapina Aurovitas), incluindo não conseguir dormir (insónias), mal-estar geral (náuseas), dores de cabeça, diarreia, vómitos, tonturas e irritabilidade. É aconselhável uma descontinuação gradual durante um período de pelo menos 1 a 2 semanas. ● Aumento de peso. ● Movimentos musculares anormais. Estes podem incluir dificuldade em iniciar movimentos musculares, tremor, agitação ou rigidez muscular sem dor. ● Alterações nas quantidades de algumas gorduras (triglicéridos e colesterol total). Frequentes (podem afetar até 1 em cada 10 pessoas): ● Batimento cardíaco rápido. ● Sentir palpitações cardíacas, aceleradas, ou batimento irregular. ● Prisão de ventre, mal-estar de estômago (indigestão). ● Sensação de fraqueza. ● Inchaço dos braços ou pernas. ● Pressão arterial baixa quando está de pé. Isto pode causar tonturas ou desmaio (pode originar quedas). ● Níveis de açúcar no sangue aumentados. ● Visão turva. ● Sonhos anormais e pesadelos. ● Aumento do apetite. ● Sensação de irritabilidade. ● Perturbações da fala e da linguagem. ● Pensamentos suicidas e agravamento da sua depressão. ● Falta de ar. ● Vómitos (principalmente nos idosos). ● Febre. ● Alterações na quantidade de hormonas da tiroide no seu sangue. ● Diminuição do número de alguns tipos de células sanguíneas. ● Aumento da quantidade de enzimas do fígado, medidas no sangue. ● Aumento da quantidade da hormona prolactina no sangue. O aumento da hormona prolactina pode, em casos raros, causar o seguinte: ● Mamas inchadas e produção inesperada de leite nos homens e nas mulheres. ● Ausência de período menstrual ou períodos menstruais irregulares nas mulheres. Pouco frequentes (podem afetar até 1 em cada 100 pessoas): ● Convulsões ou ataque epilético. ● Reações alérgicas que podem incluir protuberâncias, inchaço da pele e à volta da boca. ● Sensações desagradáveis nas pernas (também conhecido por síndroma das pernas irrequietas). ● Dificuldades em engolir. ● Movimentos incontroláveis, principalmente da face ou língua. ● Disfunção sexual. ● Diabetes ● Alteração na atividade do coração observada através do ECG (prolongamento do intervalo QT). ● Batimento cardíaco mais lento que o normal, que pode ocorrer no início do tratamento e que pode estar associado a tensão arterial baixa e desmaio. ● Dificuldade em urinar. ● Desmaio (pode dar origem a quedas). APROVADO EM 16-10-2024 INFARMED
● Nariz entupido. ● Diminuição da quantidade de células vermelhas sanguíneas. ● Diminuição da quantidade de sódio no sangue. ● Agravamento da diabetes pré-existente. ● Confusão. Raros (podem afetar até 1 em cada 1.000 pessoas): ● Uma combinação de temperatura elevada (febre), sudação, rigidez muscular, muita sonolência ou desmaio (uma doença chamada de “síndrome maligno dos neurolépticos"). ● Coloração amarela da pele e dos olhos (icterícia). ● Inflamação do fígado (hepatite). ● Ereção dolorosa e prolongada (priapismo). ● Inchaço das mamas e produção inesperada de leite (galactorreia). ● Distúrbio menstrual. ● Coágulos nas veias, especialmente nas pernas (sintomas incluem inchaço, dor e vermelhidão na perna), que se podem deslocar pelos vasos sanguíneos até aos pulmões e causar dor no peito e dificuldade em respirar. Se detetar algum destes sintomas, procure aconselhamento médico de imediato. ● Andar, falar, comer ou outras atividades enquanto dorme. ● Diminuição da temperatura corporal (hipotermia). ● Inflamação do pâncreas ● Uma condição (chamada “síndrome metabólico”) em que pode apresentar uma combinação de 3 ou mais dos seguintes sintomas: um aumento da gordura à volta da sua zona abdominal, uma diminuição do “bom colesterol” (HDL-C), um aumento de um dos tipos de gordura no seu sangue chamada triglicéridos, aumento da tensão arterial e aumento dos níveis de açúcar no sangue. ● Uma combinação de febre, sintomas gripais, dor de garganta ou qualquer outra infeção com níveis muito baixos de glóbulos brancos no sangue, uma condição denominada agranulocitose. ● Obstrução do intestino. ● Aumento da creatinina fosfoquinase no sangue (uma substância dos músculos). Muito raros (podem afetar até 1 em 10.000 pessoas): ● Erupção na pele grave, bolhas ou manchas vermelhas na pele. ● Uma reação alérgica grave (designada por anafilaxia) que pode causar dificuldade em respirar ou choque. ● Inchaço rápido da pele, geralmente à volta dos olhos, lábios e garganta (angioedema). ● Uma condição grave com desenvolvimento de bolhas na pele, boca, olhos e órgãos genitais (Síndrome de Stevens-Johnson). ● Secreção inadequada de uma hormona que controla o volume da urina. ● Lesão das fibras musculares e dores nos músculos (rabdomiólise). Desconhecido (a frequência não pode ser calculada a partir dos dados disponíveis): ● Erupção da pele com manchas vermelhas irregulares (eritema multiforme). Ver secção 2. • Aparecimento rápido de áreas de pele vermelha cravejadas de pequenas pústulas (pequenas bolhas cheias de • líquido branco/amarelo denominado Pustulose Exantematosa Generalizada Aguda (PEGA). Ver secção 2. ● Erupção Cutânea Medicamentosa com Eosinofilia e Sintomas Sistémicos (ECMESS). Erupção na pele generalizada, temperatura corporal elevada, elevações das enzimas do fígado, alterações sanguíneas (eosinofilia), gânglios linfáticos aumentados e envolvimento de outros órgãos (Erupção Cutânea Medicamentosa com Eosinofilia e Sintomas Sistémicos também é conhecida como ECMESS ou síndrome de hipersensibilidade medicamentosa). Pare de tomar quetiapina se tiver estes sintomas e contacte o seu medico ou procure assistência médica imediatamente. APROVADO EM 16-10-2024 INFARMED
● Reações alérgicas graves repentinas com sintomas tais como febre, bolhas na pele e pele descamada (necrólise epidérmica tóxica). Ver secção 2. ● Podem ocorrer sintomas de abstinência em recém-nascidos de mães que tomaram Quetiapina Aurovitas durante a gravidez. ● AVC. ● Doença do músculo do coração (cardiomiopatia) ● Inflamação do músculo do coração (miocardite) ● Inflamação dos vasos sanguíneos (vasculite), muitas vezes com erupção na pele com pequenos altos vermelhos ou roxos A classe de medicamentos à qual Quetiapina Aurovitas pertence pode causar problemas de ritmo cardíaco, que podem ser graves e, nos casos graves podem ser fatais. Alguns efeitos indesejáveis só podem ser detetados através de análises ao sangue. Estes incluem alterações dos níveis de algumas gorduras (triglicéridos e colesterol total) ou açúcar no sangue, alterações na quantidade de hormonas da tiroide no sangue, aumento das enzimas do fígado, diminuição na contagem de algumas células sanguíneas, diminuição da quantidade de glóbulos vermelhos, aumento da creatina fosfoquinase no sangue (uma substância dos músculos), diminuição dos níveis de sódio no sangue e aumento da quantidade de uma hormona no sangue chamada prolactina. O aumento da hormona prolactina pode, em casos raros, originar: ● Mamas inchadas e produção inesperada de leite nos homens e nas mulheres. ● Ausência de período menstrual ou períodos menstruais irregulares nas mulheres. Ocasionalmente, o seu médico pode pedir-lhe que faça análises ao sangue.
Efeitos indesejáveis adicionais em crianças e adolescentes
Os mesmos efeitos indesejáveis que poderão ocorrer nos adultos, poderão também ocorrer em crianças e adolescentes. Os seguintes efeitos indesejáveis foram observados com mais frequência em crianças e adolescentes, ou não foram observadas em adultos: Muito frequentes (podem afetar mais de 1 em cada 10 pessoas): ● Aumento da quantidade de uma hormona no sangue chamada prolactina. O aumento da hormona prolactina pode, em casos raros, originar: ● nos rapazes e raparigas, mamas inchadas e produção inesperada de leite. ● nas raparigas, a ausência de período menstrual ou períodos menstruais irregulares. ● Aumento do apetite. ● Vómitos. ● Movimentos musculares anormais. Estes incluem dificuldade em iniciar movimentos musculares, tremor, sentir-se agitado ou rigidez muscular sem dor. ● Aumento da tensão arterial. Frequentes (podem afetar até 1 em cada 10 pessoas): ● Sensação de fraqueza, desmaio (pode originar quedas). ● Nariz entupido. ● Sensação de irritabilidade. Comunicação de efeitos indesejáveis Se tiver quaisquer efeitos indesejáveis, incluindo possíveis efeitos indesejáveis não indicados neste folheto, fale com o seu médico ou farmacêutico. Também poderá comunicar efeitos indesejáveis diretamente ao INFARMED, I.P através dos contactos abaixo. Ao comunicar efeitos indesejáveis, estará a ajudar a fornecer mais informações sobre a segurança deste medicamento. Sítio da internet: http://www.infarmed.pt/web/infarmed/submissaoram (preferencialmente) ou através dos seguintes contactos: APROVADO EM 16-10-2024 INFARMED
Direção de Gestão do Risco de Medicamentos Parque da Saúde de Lisboa, Av. Brasil 53 1749-004 Lisboa Tel: +351 21 798 73 73 Linha do Medicamento: 800222444 (gratuita) E-mail: [email protected]
5. Como conservar Quetiapina Aurovitas
Manter este medicamento fora da vista e do alcance das crianças. Não utilize este medicamento após o prazo de validade impresso na embalagem exterior, após “EXP”. O prazo de validade corresponde ao último dia do mês indicado. O medicamento não necessita de quaisquer precauções especiais de conservação. Não deite fora quaisquer medicamentos na canalização ou no lixo doméstico. Pergunte ao seu farmacêutico como deitar fora os medicamentos que já não utiliza. Estas medidas ajudarão a proteger o ambiente.
6. Conteúdo da embalagem e outras informações
Qual a composição de Quetiapina Aurovitas A substância ativa é a quetiapina. Cada comprimido revestido por película contém 25 mg, 100 mg, 150 mg, 200 mg e 300 mg de quetiapina (na forma de fumarato de quetiapina). Os outros componentes são: Núcleo do comprimido: hidrogenofosfato de cálcio di-hidratado, lactose mono-hidratada, celulose microcristalina, carboximetilamido sódico (Tipo A), povidona (K30), estearato de magnésio, sílica coloidal anidra e talco. Revestimento do comprimido: hipromelose, macrogol 400, dióxido de titânio (E171), óxido de ferro amarelo (E172) (comprimidos de 25 mg, 100 mg e 150 mg), óxido de ferro vermelho (E172) (apenas comprimidos de 25 mg) e tinta de impressão preta contendo shellac e óxido de ferro negro (comprimidos de 100 mg, 150 mg, 200 mg e 300 mg). Qual o aspeto de Quetiapina Aurovitas e conteúdo da embalagem Comprimido revestido por película. Quetiapina Aurovitas 25 mg comprimidos revestidos por película Comprimido revestido por película cor de pêssego, redondo, biconvexo, marcado com “E 52” de um lado e liso no outro lado. Quetiapina Aurovitas 100 mg comprimidos revestidos por película Comprimido revestido por película amarelo, redondo, biconvexo, com a impressão “E 53” de um lado e liso no outro lado. Quetiapina Aurovitas 150 mg comprimidos revestidos por película Comprimido revestido por película amarelo claro, redondo, biconvexo, com a impressão “E 54” de um lado e liso no outro lado. Quetiapina Aurovitas 200 mg comprimidos revestidos por película Comprimido revestido por película branco, redondo, biconvexo, com a impressão “E 55” de um lado e liso no outro lado. APROVADO EM 16-10-2024 INFARMED
Quetiapina Aurovitas 300 mg comprimidos revestidos por película Comprimido revestido por película branco, em forma de cápsula, biconvexo, com a impressão “E 56” de um lado e liso no outro lado. Os comprimidos revestidos por película de Quetiapina Aurovitas estão disponíveis em embalagens blister de PVC/folha de alumínio. Apresentações: Embalagens blister: 6, 10, 20, 50, 60 e 100 comprimidos revestidos por película. É possível que não sejam comercializadas todas as apresentações. Titular da Autorização de Introdução no Mercado e Fabricante Titular da Autorização de Introdução no Mercado Generis Farmacêutica, S.A. Rua João de Deus, 19 2700-487 Amadora Portugal Fabricantes APL Swift Services (Malta) Limited HF26, Hal Far Industrial Estate, Hal Far Birzebbugia, BBG 3000 Malta ou Generis Farmacêutica, S.A. Rua João de Deus, 19 2700-487 Amadora Portugal Este medicamento encontra-se autorizado nos Estados Membros do Espaço Económico Europeu (EEE) com os seguintes nomes: Alemanha: Quetiapin Aurobindo 150 mg Filmtabletten Portugal: Quetiapina Aurovitas Espanha: Quetiapina Aurovitas 25 mg/ 100 mg/ 200 mg/ 300 mg comprimidos recubiertos con película EFG Este folheto foi revisto pela última vez em
⚕Para profissionais — Resumo das Características do Medicamento (RCM)Ficha técnica completa: posologia, interações, contraindicações, advertências+
16-10-2024
1. NOME DO MEDICAMENTO
Quetiapina Aurovitas 25 mg comprimidos revestidos por película Quetiapina Aurovitas 100 mg comprimidos revestidos por película Quetiapina Aurovitas 150 mg comprimidos revestidos por película Quetiapina Aurovitas 200 mg comprimidos revestidos por película Quetiapina Aurovitas 300 mg comprimidos revestidos por película
2. COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA
Cada comprimido revestido por película contém 25 mg de quetiapina (na forma de fumarato de quetiapina). Excipientes com efeito conhecido: 5,167 mg de lactose mono-hidratada por comprimido. Cada comprimido revestido por película contém 100 mg de quetiapina (na forma de fumarato de quetiapina). Excipientes com efeito conhecido: 20,667 mg de lactose mono-hidratada por comprimido. Cada comprimido revestido por película contém 150 mg de quetiapina (na forma de fumarato de quetiapina). Excipientes com efeito conhecido: 31,0 mg de lactose mono-hidratada por comprimido. Cada comprimido revestido por película contém 200 mg de quetiapina (na forma de fumarato de quetiapina). Excipientes com efeito conhecido: 41,333 mg de lactose mono-hidratada por comprimido. Cada comprimido revestido por película contém 300 mg de quetiapina (na forma de fumarato de quetiapina). Excipientes com efeito conhecido: 62,0 mg de lactose mono-hidratada por comprimido. Lista completa de excipientes, ver secção 6.1.
3. FORMA FARMACÊUTICA
Comprimido revestido por película. Quetiapina Aurovitas 25 mg comprimidos revestidos por película: Comprimido revestido por película cor de pêssego, redondo, biconvexo, marcado com “E 52” de um lado e liso no outro lado. Quetiapina Aurovitas 100 mg comprimidos revestidos por película: Comprimido revestido por película amarelo, redondo, biconvexo, com a impressão “E 53” de um lado e liso no outro lado. Quetiapina Aurovitas 150 mg comprimidos revestidos por película: Comprimido revestido por película amarelo claro, redondo, biconvexo, com a impressão “E 54” de um lado e liso no outro lado. Quetiapina Aurovitas 200 mg comprimidos revestidos por película: 16-10-2024
Comprimido revestido por película branco, redondo, biconvexo, com a impressão “E 55” de um lado e liso no outro lado. Quetiapina Aurovitas 300 mg comprimidos revestidos por película: Comprimido revestido por película branco, em forma de cápsula, biconvexo, com a impressão “E 56” de um lado e liso no outro lado.
4. INFORMAÇÕES CLÍNICAS
4.1. Indicações terapêuticas
Quetiapina Aurovitas está indicado para: - Tratamento de esquizofrenia. - Tratamento da perturbação bipolar: - Para o tratamento de episódios maníacos moderados a graves na perturbação bipolar. - Para o tratamento de episódios depressivos major na perturbação bipolar. - Para a prevenção de recorrências de episódios maníacos ou depressivos em doentes com perturbação bipolar, que responderam anteriormente o tratamento com quetiapina.
4.2. Posologia e modo de administração
Posologia Para cada indicação existem diferentes esquemas posológicos. Assim, é necessário assegurar que os doentes recebem informação clara relativa à posologia adequada à sua situação. Adultos: Para o tratamento da esquizofrenia Para o tratamento da esquizofrenia, Quetiapina Aurovitas deve ser administrado duas vezes por dia. A dose diária total nos primeiros quatro dias da terapêutica é de 50 mg (Dia 1), 100 mg (Dia 2), 200 mg (Dia 3) e 300 mg (Dia 4). A partir do Dia 4, a dose deve ser titulada até à dose habitualmente eficaz de 300 a 450 mg/dia. A dose pode ser ajustada em função da resposta clínica e tolerabilidade de cada doente, no intervalo de 150 a 750 mg/dia. Para o tratamento de episódios maníacos moderados a graves na perturbação bipolar Para o tratamento de episódios maníacos associados à perturbação bipolar, Quetiapina Aurovitas deve ser administrado duas vezes por dia. A dose diária total nos primeiros quatro dias da terapêutica é de 100 mg (Dia 1), 200 mg (Dia 2), 300 mg (Dia 3) e 400 mg (Dia 4). Qualquer ajuste posológico adicional até atingir 800 mg/dia no Dia 6 deverá ser efetuado em incrementos máximos de 200 mg/dia. A dose pode ser ajustada em função da resposta clínica e da tolerabilidade de cada doente, no intervalo de 200 a 800 mg por dia. A dose eficaz habitual varia entre 400 e 800 mg/dia. Para o tratamento de episódios depressivos major na perturbação bipolar Quetiapina Aurovitas deve ser administrado uma vez por dia, ao deitar. A dose diária total nos primeiros quatro dias de terapêutica é de 50 mg (Dia 1), 100 mg (Dia 2), 200 mg (Dia 3) e 300 mg (Dia 4). A dose diária recomendada é de 300 mg. Em ensaios clínicos, não foi observado nenhum benefício adicional no grupo de 600 mg em comparação com o grupo de 300 mg (ver secção 5.1). Doentes específicos podem 16-10-2024
beneficiar da dose de 600 mg. Doses superiores a 300 mg devem ser iniciadas por médicos com experiência no tratamento da perturbação bipolar. Em doentes específicos, na presença de precauções de tolerância, ensaios clínicos indicaram que poderá ser considerada uma redução de dose até um mínimo de 200 mg. Para a prevenção de recorrências na perturbação bipolar Para a prevenção de recorrências de episódios maníacos, mistos ou depressivos na perturbação bipolar, os doentes que responderam ao tratamento com quetiapina para o tratamento agudo da perturbação bipolar devem continuar a terapêutica com a mesma dose. A dose poe ser ajustada, dependendo da resposta clínica e da tolerabilidade de cada doente específico, no intervalo de 300 mg a 800 mg/dia e administrada duas vezes por dia. É importante ser utilizada na terapêutica de manutenção a dose eficaz mais baixa. Idosos: Tal como com outros antipsicóticos, a quetiapina deverá ser utilizada com precaução nos idosos, especialmente durante o período inicial de tratamento. Poderá ser necessário efetuar uma titulação mais lenta da dose e a dose terapêutica diária poderá ser inferior à utilizada em doentes mais jovens, dependendo da resposta clínica e tolerabilidade de cada doente. A depuração plasmática média da quetiapina foi reduzida em 30-50% em doentes idosos em comparação com doentes mais jovens. A eficácia e segurança não foram avaliadas em doentes com idade superior a 65 anos com episódios depressivos no contexto da perturbação bipolar. População pediátrica: Não se recomenda a utilização de quetiapina em crianças e adolescentes com idade inferior a 18 anos, devido à inexistência de dados para suportar a sua utilização neste grupo etário. A evidência disponível com base em ensaios clínicos controlados com placebo encontra-se referida nas secções 4.4, 4.8, 5.1 e 5.2. Compromisso renal: Não é necessário efetuar ajuste posológico em doentes com compromisso renal. Compromisso hepático: A quetiapina é extensamente metabolizada pelo fígado. Assim, a quetiapina deve ser utilizada com precaução em doentes com compromisso hepático conhecido, especialmente durante o período inicial de tratamento. Os doentes com compromisso hepático devem iniciar o tratamento com 25 mg/dia. A dose deverá ser aumentada diariamente em incrementos de 25-50 mg/dia até à dose eficaz, dependendo da resposta clínica e tolerabilidade de cada doente. Modo de administração Quetiapina Aurovitas pode ser administrado com ou sem alimentos.
4.3. Contraindicações
Hipersensibilidade à substância ativa ou a qualquer um dos excipientes mencionados na secção 6.1. A administração concomitante de inibidores do citocromo P450 3A4, tais como inibidores da protease-VIH, fármacos antifúngicos do grupo azol, eritromicina, claritromicina e nefazodona, está contraindicada (ver também secção 4.5).
4.4. Advertências e precauções especiais de utilização
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Como Quetiapina Aurovitas tem várias indicações, o perfil de segurança deverá ser considerado em função do diagnóstico individual do doente e da dose a ser administrada. População pediátrica Não se recomenda a utilização de quetiapina em crianças e adolescentes com idade inferior a 18 anos, devido à inexistência de dados para suportar a sua utilização neste grupo etário. Ensaios clínicos com quetiapina demonstraram que, adicionalmente ao perfil de segurança identificado em adultos (ver secção 4.8), alguns efeitos secundários ocorrem com uma frequência elevada em crianças e adolescentes comparativamente a adultos (aumento do apetite, aumentos dos níveis séricos de prolactina, vómitos, rinite e síncope) ou podem ter implicações diferentes para crianças e adolescentes (sintomas extrapiramidais e irritabilidade) e foi identificado um que não tinha sido previamente observado em estudos com adultos (aumento da pressão sanguínea). Foram também observadas alterações dos testes da função da tiroide em crianças e adolescentes. Adicionalmente, as implicações a longo prazo relativas à segurança do tratamento com quetiapina, no crescimento e maturação, não foram estudadas acima das 26 semanas. Implicações a longo prazo do desenvolvimento cognitivo e comportamental não são conhecidas. Em ensaios clínicos controlados com placebo, realizados em crianças e adolescentes, a quetiapina esteve associada a um aumento de incidência de sintomas extrapiramidais (SEP) comparativamente a placebo, em doentes tratados para a esquizofrenia, mania bipolar e depressão bipolar (ver secção 4.8). Suicídio/pensamentos suicidas ou agravamento clínico A depressão, na perturbação bipolar, está associada a um aumento do risco de pensamentos suicidas, autoflagelação e suicídio (eventos relacionados com o suicídio). Este risco persiste até ocorrer uma remissão significativa. Considerando que podem não ocorrer melhorias durante as primeiras semanas ou mais de tratamento, os doentes devem ser monitorizados cuidadosamente até ocorrência de melhoria. A experiência clínica geral indica que o risco de suicídio pode aumentar nas fases iniciais de recuperação. Adicionalmente, os médicos devem considerar o risco potencial de eventos relacionados com suicídio após cessação abrupta do tratamento com quetiapina, devido a fatores de risco conhecidos para a doença que está a ser tratada. Outras doenças psiquiátricas para as quais a quetiapina é prescrita podem também estar associadas a um risco acrescido de eventos relacionados com suicídio. Adicionalmente, estas doenças podem ser comórbidas com episódios depressivos major. As mesmas precauções observadas, ao tratar doentes com episódios depressivos major devem, como tal, ser observadas ao tratar doentes com outras doenças psiquiátricas. Doentes com uma história de eventos relacionados com suicídio, ou aqueles que exibem um grau significativo de ideação suicida antes do início do tratamento, são reconhecidos como tendo um risco superior de pensamentos suicidas ou tentativas de suicídio e devem ser sujeitos a uma monitorização cuidadosa durante o tratamento. Uma meta-análise de ensaios clínicos, controlados com placebo, de medicamentos antidepressivos em doentes adultos com perturbações psiquiátricas, mostrou um risco acrescido de comportamento suicida com antidepressivos comparativamente ao placebo, em doentes com idade inferior a 25 anos. A terapêutica medicamentosa deve ser acompanhada de uma supervisão cuidada dos doentes, em particular, aqueles em elevado risco, especialmente na fase inicial de tratamento e após alterações posológicas. Doentes (e familiares de doentes) devem ser alertados sobre a necessidade de monitorização de qualquer agravamento clínico, 16-10-2024
comportamento ou pensamentos suicidas, e alterações não usuais de comportamento e para procurar aconselhamento médico imediatamente caso esses sintomas ocorram. Em ensaios clínicos de curta duração controlados com placebo em doentes com episódios depressivos major na perturbação bipolar foi observado um risco aumentado de eventos relacionados com suicídio em doentes adultos jovens (com idade inferior a 25 anos) tratados com quetiapina comparativamente aos tratados com placebo (3,0% vs. 0%, respetivamente). Um estudo populacional retrospetivo com quetiapina para o tratamento de doentes com perturbação depressiva major (PDM) demonstrou um risco aumentado de autoflagelação e suicídio em doentes com idade compreendida entre 25 e 64 anos sem história de autoflagelação durante a utilização de quetiapina com outros antidepressivos. Risco Metabólico Dado o risco observado de agravamento do seu perfil metabólico, incluindo alterações no peso, glicemia (ver hiperglicemia) e lípidos, os quais foram identificados em estudos clínicos, os parâmetros metabólicos do doente devem ser avaliados no início do tratamento e alterações destes parâmetros devem ser controladas regularmente durante o decorrer do tratamento. O agravamento destes parâmetros deve ser tratado de forma clinicamente apropriada (ver também secção 4.8). Sintomas Extrapiramidais Em ensaios clínicos controlado com placebo em doentes adultos, a quetiapina foi associada a um aumento da incidência de sintomas extrapiramidais (SEP) comparativamente ao placebo em doentes tratados para episódios depressivos major na perturbação bipolar (ver secções 4.8 e 5.1). A utilização de quetiapina tem sido associada ao desenvolvimento de acatísia, caracterizada por uma irrequietude subjetivamente desagradável ou angustiante e pela necessidade de movimento frequente acompanhado pela incapacidade de se sentar ou ficar quieto. É mais frequente acontecer nas primeiras semanas de tratamento. Em doentes que desenvolvem estes sintomas, o aumento da dose pode ser prejudicial. Discinésia tardia: Se surgirem sinais ou sintomas de discinesia tardia deve ser considerada uma redução da dose ou a interrupção do tratamento com quetiapina. Os sintomas de discinesia tardia podem ser agravados ou mesmo surgir após descontinuação do tratamento (ver secção 4.8). Sonolência e tonturas O tratamento com quetiapina foi associado a sonolência e sintomas relacionados, tais como sedação (ver secção 4.8). Em ensaios clínicos no tratamento de doentes com depressão bipolar, o início ocorreu normalmente nos primeiros 3 dias de tratamento, e com uma intensidade predominantemente ligeira a moderada. Os doentes que experenciem sonolência de intensidade grave podem necessitar de um contacto mais frequente durante um período mínimo de 2 semanas após o início da sonolência, ou até que os sintomas melhorem, podendo ser necessário considerar a descontinuação do tratamento. Hipotensão ortostática: O tratamento com quetiapina tem sido associado a hipotensão ortostática e tonturas relacionadas (ver secção 4.8) que, tal como a sonolência, surgem, usualmente, durante o período de titulação da dose inicial. Este efeito pode aumentar a ocorrência de ferimentos acidentais (quedas), especialmente na população idosa. Consequentemente, os doentes devem ser avisados para serem prudentes enquanto não estiverem familiarizados com os potenciais efeitos da medicação. 16-10-2024
A quetiapina pode ser utilizada com precaução em doentes com doença cardiovascular conhecida, doença cerebrovascular ou outras situações de predisposição para hipotensão. Deve ser considerada uma redução da dose ou uma titulação mais gradual se ocorrer hipotensão ortostática, especialmente em doentes com história de doença cardiovascular. Síndrome de apneia do sono: A síndrome de apneia do sono tem sido notificada em doentes que tomam quetiapina. A quetiapina deve ser utilizada com precaução em doentes que estejam a receber concomitantemente fármacos depressores do Sistema Nervoso Central e que tenham história de apneia do sono ou que estejam em risco de desenvolver apneia do sono, tais como doentes com excesso de peso/obesos ou doentes do sexo masculino. Convulsões: Em ensaios clínicos controlados não se verificaram diferenças na incidência de convulsões em doentes tratados com quetiapina ou placebo. Não estão disponíveis dados relativos à incidência de convulsões em doentes com história de doença convulsiva. Tal como com outros antipsicóticos, recomenda-se precaução no tratamento de doentes com história clínica de convulsões (ver secção 4.8). Síndrome maligna dos neurolépticos: A síndrome maligna dos neurolépticos tem sido associada ao tratamento antipsicótico, incluindo quetiapina (ver secção 4.8). As manifestações clínicas incluem hipertermia, estado mental alterado, rigidez muscular, instabilidade autonómica e aumento dos níveis de creatinina fosfoquinase. Neste caso, o tratamento com quetiapina deve ser interrompido e instituída terapêutica adequada. Síndrome serotoninérgica A administração concomitante de Quetiapina Aurovitas e outros fármacos serotoninérgicos, como inibidores da MAO, inibidores seletivos de recaptação de serotonina (SSRI)/inibidores seletivos de recaptação de noradrenalina (SNRI) ou antidepressivos tricíclicos, pode dar origem a síndrome serotoninérgica, uma condição potencialmente fatal (ver secção 4.5). Caso o tratamento concomitante com outros fármacos serotoninérgicos tenha enquadramento clínico, é aconselhada a observação cuidadosa do doente, em particular durante o início do tratamento e aumentos de dose. Os sintomas de síndrome serotoninérgica podem incluir alterações do estado mental, instabilidade autonómica, alterações neuromusculares e/ou sintomas gastrointestinais. Em caso de suspeita de síndrome serotoninérgica, deve considerar-se uma redução da dose ou a descontinuação do tratamento, dependendo da gravidade dos sintomas. Neutropenia grave e agranulocitose: Foi notificada neutropenia grave (contagem de neutrófilos < 0,5X10^9/L) em ensaios clínicos com quetiapina. A maioria dos casos de neutropenia grave ocorreu nos primeiros meses após início da terapêutica com quetiapina. Não existiu aparente relação com a dose. Durante a experiência pós-comercialização, alguns casos foram fatais. Os possíveis fatores de risco para a neutropenia incluem contagem baixa pré-existente de glóbulos brancos (GB) e história de neutropenia induzida por fármacos. No entanto, ocorreram alguns casos de neutropenia em doentes sem fatores de risco pré-existentes. A quetiapina deve ser descontinuada em doentes com uma contagem de neutrófilos < 1,0 X 10^9/L. Os doentes devem ser observados para sinais e sintomas de infeção, e as contagens de neutrófilos devem ser seguidas (até excederem 1,5 X 10^9/L) (ver secção 5.1). 16-10-2024
A neutropenia deve ser considerada em doentes que se apresentem com infeção ou febre, particularmente na ausência de fatores de predisposição óbvios e, deve ser tratada de forma clinicamente apropriada. Os doentes devem ser aconselhados a notificar imediatamente o aparecimento de sinais/sintomas consistentes com agranulocitose ou infeção (p. ex. febre, fraqueza, letargia ou faringite) em qualquer momento, durante a terapêutica com Quetiapina. Estes doentes devem fazer, prontamente, a contagem de GB e a determinação do número absoluto de neutrófilos (ANC), especialmente na ausência de fatores de predisposição. Efeitos anticolinérgicos (muscarínicos): A norquetiapina, metabolito ativo da quetiapina, tem afinidade moderada a forte para vários subtipos de recetores muscarínicos. Isto contribui para as Reações Adversas Medicamentosas (RAMs) que refletem os efeitos anticolinérgicos quando a quetiapina é usada nas doses recomendadas, quando é usada concomitantemente com outros medicamentos com efeitos anticolinérgicos, e no caso de sobredosagem. A quetiapina deve ser usada com precaução em doentes que tomam medicamentos com efeitos anticolinérgicos (muscarínicos). A quetiapina deve ser usada com precaução em doentes com um diagnóstico atual ou história prévia de retenção urinária, hipertrofia prostática clinicamente significativa, obstrução intestinal ou condições relacionadas, aumento da pressão intraocular ou glaucoma de ângulo fechado. (Ver Secções 4.5, 4.8, 5.1 e 4.9.). Interações Ver secção 4.5. O uso concomitante de quetiapina com fármacos fortemente indutores das enzimas hepáticas, tais como a carbamazepina ou a fenitoína, diminui significativamente a concentração plasmática de quetiapina, o que poderá afetar a eficácia da terapêutica com quetiapina. Em doentes que estejam a tomar fármacos indutores das enzimas hepáticas, o tratamento com quetiapina deverá apenas iniciar-se se o médico considerar que os benefícios de quetiapina se sobrepõem aos riscos associados à retirada do fármaco indutor da enzima hepática. É importante que qualquer alteração no fármaco indutor seja gradual e, se necessário, dever-se-á proceder à sua substituição por fármacos não indutores (ex. valproato de sódio). Peso O aumento de peso foi notificado em doentes que foram tratados com quetiapina, e deve ser monitorizado e gerido de forma clinicamente apropriada, de acordo com as recomendações de utilização de antipsicóticos (ver secções 4.8 e 5.1). Hiperglicemia A hiperglicemia e/ou desenvolvimento ou exacerbação da diabetes ocasionalmente associada a cetoacidose ou coma foi notificada raramente, incluindo alguns casos fatais (ver secção 4.8). Em alguns casos, um aumento prévio no peso corporal foi notificado, pelo que poderá ser um fator predisponente. Uma monitorização clínica apropriada é recomendada de acordo com as recomendações utilizadas para o uso de antipsicóticos. Doentes tratados com qualquer medicamento antipsicótico, incluindo quetiapina, devem ser observados para identificação de sinais e sintomas de hiperglicemia (tais como polidipsia, poliúria, polifagia e fraqueza) e doentes com diabetes mellitus ou com fatores de risco para diabetes mellitus devem ser monitorizados regularmente, para controlo do aumento da glucose. O peso deve ser monitorizado regularmente. Lípidos Foram observados aumentos nos triglicéridos, colesterol LDL e colesterol total, e diminuições no colesterol HDL, em ensaios clínicos com quetiapina (ver secção 4.8). As alterações lipídicas deverão ser tratadas como apropriado clinicamente. 16-10-2024
Prolongamento do intervalo QT Em ensaios clínicos e se utilizada de acordo com o Resumo das Características do Medicamento, a quetiapina não esteve associada ao aumento absoluto persistente do intervalo QT. Em pós-comercialização, o prolongamento do intervalo QT foi notificado com a quetiapina em doses terapêuticas de quetiapina (ver secção 4.8) e em sobredosagem (ver secção 4.9). Tal como com outros antipsicóticos, devem ser tomadas precauções quando a quetiapina é prescrita a doentes com doença cardiovascular ou história familiar de prolongamento do intervalo QT. Também é necessária precaução quando a quetiapina é prescrita tanto com medicamentos conhecidos por prolongar o intervalo QT, ou em associação com neurolépticos, especialmente nos idosos, em doentes com síndroma de QT prolongado congénito, insuficiência cardíaca congestiva, hipertrofia do miocárdio, hipocaliemia ou hipomagnesemia (ver secção 4.5). Cardiomiopatia e miocardite Casos de cardiomiopatia e miocardite foram notificados em ensaios clínicos e durante a experiência pós-comercialização (ver secção 4.8). Em doentes com suspeita de cardiomiopatia ou miocardite, a interrupção da quetiapina deve ser considerada. Reações adversas cutâneas graves Têm sido notificadas reações adversas cutâneas graves (RACGs), incluindo casos de síndrome de Stevens-Johnson (SJS), Necrólise Epidérmica Tóxica (TEN), Pustulose Exantematosa Generalizada Aguda (AGEP), Eritema Multiforme (EM) e reação Medicamentosa com Eosinofilia e Sintomas Sistémicos (DRESS), muito raramente com o tratamento com quetiapina, que podem ser fatais. As RACGs apresentam-se comumente com um ou mais dos seguintes sintomas: erupção cutânea extensa que pode ser prurítica ou associada a pústulas, dermatite esfoliativa, febre, linfadenopatia e possível eosinofilia ou neutrofilia. A maioria destas reações ocorreu em 4 semanas após o início da terapêutica com quetiapina, algumas reações de DRESS ocorreram em 6 semanas após o início da terapêutica com quetiapina. Se aparecerem sinais e sintomas sugestivos dessas reações cutâneas graves, a quetiapina deve ser suspensa imediatamente e um tratamento alternativo deve ser considerado. Descontinuação Sintomas de privação agudos tais como insónia, náuseas, cefaleias, diarreia, vómitos, tonturas e irritabilidade foram descritos após suspensão abrupta de quetiapina. É aconselhável a descontinuação gradual da terapêutica pelo menos durante um período mínimo de uma a duas semanas (ver secção 4.8). Doentes idosos com psicose associada a demência A quetiapina não está aprovada para o tratamento de doentes com psicose associada a demência. Em ensaios clínicos aleatorizados, controlados com placebo, realizados na população com demência com alguns antipsicóticos atípicos, foi observado um aumento do risco de ocorrência de acontecimentos adversos cerebrovasculares de cerca de 3 vezes. O mecanismo para este aumento não é conhecido. Um risco acrescido não pode ser excluído para outros antipsicóticos ou outras populações de doentes. A quetiapina deve ser utilizada com precaução em doentes que apresentam fatores de risco para acidente vascular cerebral. Numa meta–análise de antipsicóticos atípicos, foi notificado que doentes idosos com psicose associada a demência apresentam um risco elevado de morte comparativamente ao placebo. Todavia, em dois estudos, de 10 semanas, controlados com placebo, na mesma população (n=710; média de idades: 83 anos; intervalo: 56-99 anos) a incidência de mortalidade em doentes tratados com quetiapina foi de 5,5% versus 3,2% no grupo placebo. Os doentes destes ensaios morreram de uma variedade de causas consistentes com causas expectáveis para esta população. 16-10-2024
Doentes idosos com doença de Parkinson (DP)/parkinsonismo Um estudo populacional retrospetivo com quetiapina para o tratamento de doentes com PDM demonstrou um risco aumentado de morte durante a utilização de quetiapina em doentes com idade superior a 65 anos. Esta associação não esteve presente quando os doentes com DP foram excluídos da análise. Recomenda-se precaução se a quetiapina for prescrita a doentes idosos com DP. Disfagia Foi descrita disfagia (ver secção 4.8) com quetiapina. A quetiapina deve ser utilizada com precaução em doentes com risco de pneumonia por aspiração. Obstipação e obstrução intestinal A obstipação representa um fator de risco para a obstrução intestinal. Foram notificados casos de obstipação e obstrução intestinal com quetiapina (ver secção 4.8). Estes incluem casos fatais em doentes com risco acrescido de obstrução intestinal, incluindo doentes em tratamento com medicação concomitante múltipla que diminui a motilidade intestinal e/ou que podem não notificar sintomas de obstipação. Os doentes com obstrução intestinal/íleo devem ser tratados com monitorização cuidadosa e tratamento urgente. Tromboembolismo venoso (TEV) Foram notificados casos de tromboembolismo venoso (TEV) com medicamentos antipsicóticos. Uma vez que os doentes tratados com antipsicóticos apresentam, frequentemente, fatores de risco para o TEV, todos os possíveis fatores de risco para o TEV devem ser identificados antes e durante o tratamento com quetiapina e devem ser adotadas medidas preventivas. Pancreatite A pancreatite tem sido notificada em ensaios clínicos e durante a fase de pós- comercialização. De entre as notificações pós-comercialização, enquanto nem todos os casos foram afetados por variáveis de confundimento devido a fatores de risco, muitos doentes tinham fatores que se sabe estarem associados com pancreatite, tais como triglicéridos aumentados (ver secção 4.4), cálculos biliares e consumo de álcool. Informação adicional Dados sobre quetiapina em combinação com divalproex ou lítio nos episódios maníacos agudos moderados a graves são limitados; contudo a terapêutica combinada foi bem tolerada (ver secções 4.8 e 5.1). Os dados mostraram um efeito cumulativo às 3 semanas. Uso indevido e abuso Têm sido notificados casos de uso indevido e abuso. Pode ser necessária precaução quando se prescreve quetiapina a doentes com história de abusos de álcool e drogas. Lactose Os comprimidos Quetiapina Aurovitas contêm lactose. Doentes com problemas hereditários raros de intolerância à galactose, deficiência total de lactase ou malabsorção de glucose-galactose não devem tomar este medicamento. Sódio Este medicamento contém menos do que 1 mmol (23 mg) de sódio por comprimido, ou seja, é praticamente “isento de sódio”.
4.5. Interações medicamentosas e outras formas de interação
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Dados os efeitos primários da quetiapina sobre o sistema nervoso central, a quetiapina deve ser administrada com precaução em associação com outros medicamentos de ação central e com o álcool. A quetiapina deve ser utilizada com precaução em combinação com medicamentos serotoninérgicos, como inibidores da MAO, inibidores seletivos de recaptação de serotonina (SSRI)/inibidores seletivos de recaptação de noradrenalina (SNRI) ou antidepressivos tricíclicos, uma vez que o risco de síndrome serotoninérgica, uma condição potencialmente fatal, está aumentado (ver secção 4.4). Recomenda-se precaução no tratamento de doentes a receber outros medicamentos com efeitos anticolinérgicos (muscarínicos) (ver Secção 4.4). O citocromo P450 (CYP) 3A4 é a principal enzima responsável pelo metabolismo de quetiapina mediado pelo citocromo P450. Num estudo de interação em voluntários saudáveis, a administração concomitante de quetiapina (dose de 25 mg) com cetoconazol, um inibidor da CYP3A4, causou um aumento de 5 a 8 vezes na AUC da quetiapina. Com base neste facto, é contraindicada a administração de quetiapina concomitantemente com inibidores de CYP3A4. Também não é recomendado o consumo de sumo de toranja durante a terapêutica com quetiapina. Num ensaio clínico de doses múltiplas em doentes para avaliar a farmacocinética da quetiapina administrada antes e durante o tratamento com carbamazepina (um conhecido indutor das enzimas hepáticas), a coadministração de carbamazepina aumentou significativamente a depuração da quetiapina. Este aumento da depuração reduziu a exposição sistémica à quetiapina (de acordo com a AUC) para uma média de 13% da exposição registada durante a administração de quetiapina isoladamente, embora tenha sido observado um efeito superior em alguns doentes. Em consequência desta interação, pode ocorrer uma diminuição das concentrações plasmáticas, o que poderá afetar a eficácia da terapêutica com quetiapina. A coadministração de quetiapina e fenitoína (outro indutor enzimático microssomal) causou um aumento da depuração da quetiapina de aproximadamente 450%. Em doentes que estejam a tomar fármacos indutores das enzimas hepáticas, o tratamento com quetiapina deverá apenas iniciar-se se o médico considerar que os benefícios de quetiapina se sobrepõem aos riscos associados à retirada do indutor da enzima hepática. É importante que qualquer alteração no fármaco indutor seja gradual e, se necessário, dever-se-á proceder à sua substituição por fármacos não indutores (ex: valproato de sódio) (ver secção 4.4). A farmacocinética da quetiapina não foi significativamente alterada pela administração concomitante dos antidepressivos imipramina (um conhecido inibidor da CYP 2D6) ou fluoxetina (um conhecido inibidor da CYP 3A4 e CYP 2D6). A farmacocinética da quetiapina não foi significativamente alterada pela administração concomitante com os antipsicóticos risperidona ou haloperidol. No entanto, a administração concomitante de quetiapina e tioridazina causou um aumento da depuração da quetiapina de aproximadamente 70%. A farmacocinética da quetiapina não foi alterada após administração concomitante com cimetidina. A farmacocinética do lítio não foi alterada quando administrado concomitantemente com quetiapina. Num estudo de 6 semanas, aleatorizado, de lítio e quetiapina comprimidos de libertação prolongada versus placebo e quetiapina comprimidos de libertação prolongada em doentes adultos com mania aguda, observou-se uma incidência superior de acontecimentos relacionados com efeitos extrapiramidais (em particular tremores), 16-10-2024
sonolência e aumento de peso no grupo tratado em associação com lítio comparativamente ao grupo tratado em associação com placebo (ver secção 5.1). A farmacocinética de valproato de sódio e quetiapina não sofreu uma alteração clinicamente relevante quando administrados concomitantemente. Num estudo retrospetivo em crianças e adolescentes que tomaram valproato, quetiapina, ou ambos, verificou-se uma maior incidência de leucopenia e neutropenia no grupo que tomou a combinação versus os grupos de monoterapia. Não foram efetuados estudos formais de interações com os medicamentos cardiovasculares vulgarmente utilizados. A quetiapina deve ser utilizada com precaução quando administrada concomitantemente com produtos medicinais conhecidos por originar desequilíbrio eletrolítico ou por aumentarem o intervalo QT. Foram notificados resultados de falsos positivos em imunoensaios enzimáticos para a metadona e antidepressivos tricíclicos em doentes a tomar quetiapina. Os resultados questionáveis de imunoensaios de rastreio devem ser confirmados por uma técnica cromatográfica apropriada.
4.6. Fertilidade, gravidez e aleitamento
Gravidez Primeiro trimestre A quantidade moderada de dados publicados de exposição durante a gravidez (ou seja, entre 300-1.000 resultados de gravidez), incluindo notificações individuais e alguns estudos observacionais não sugere um risco acrescido de malformações devido ao tratamento. No entanto, com base em todos os dados disponíveis, não pode retirar-se uma conclusão definitiva. Os estudos em animais demonstraram toxicidade reprodutiva (ver secção 5.3). Assim, a quetiapina, deve apenas ser utilizada durante a gravidez, se os benefícios justificarem os potenciais riscos. Terceiro trimestre Os recém-nascidos expostos a antipsicóticos (incluindo quetiapina) durante o terceiro trimestre de gravidez estão em risco de ocorrência de reações adversas após o parto, incluindo sintomas extrapiramidais e/ou de abstinência, que podem variar em intensidade e duração. Foram notificados casos de agitação, hipertonia, hipotonia, tremor, sonolência, dificuldade respiratória ou perturbações da alimentação. Consequentemente, os recém-nascidos devem ser monitorizados cuidadosamente. Amamentação Com base em dados muito limitados de relatórios publicados relativos à excreção de quetiapina no leite materno, a excreção de quetiapina em doses terapêuticas parece ser inconsistente. Devido à ausência de dados robustos, deve tomar-se a decisão de suspender a amamentação ou o tratamento com quetiapina, tendo em conta os benefícios da amamentação para a criança e o benefício do tratamento para a mulher. Fertilidade Os efeitos de quetiapina na fertilidade humana não foram avaliados. Verificaram-se efeitos relacionados com o aumento dos níveis de prolactina em ratos, embora estes não sejam diretamente relevantes para o humano (ver secção 5.3).
4.7. Efeitos sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas
Dados os seus efeitos primários sobre o sistema nervoso central, a quetiapina pode interferir com atividades que requerem estado de alerta mental. Portanto, deve-se 16-10-2024
recomendar aos doentes para não conduzirem nem operarem máquinas até ser conhecida a sua suscetibilidade individual.
4.8. Efeitos indesejáveis
As Reações Adversas Medicamentosas (RAMs) mais frequentemente notificadas com quetiapina (≥10%) são sonolência, tonturas, cefaleia, boca seca, sintomas de abstinência (suspensão), elevação dos níveis de triglicéridos séricos, elevação do colesterol total (predominantemente o colesterol LDL), diminuição do colesterol HDL, aumento de peso, diminuição da hemoglobina e sintomas extrapiramidais. Reações adversas cutâneas graves (RACGs), incluindo síndrome de Stevens-Johnson (SSJ), necrólise epidérmica tóxica (NET), erupção cutânea medicamentosa com eosinofilia e sintomas sistémicos (ECMESS) foram notificados em associação ao tratamento com quetiapina. A incidência de RAMs associadas à terapêutica com quetiapina, está indicada na tabela seguinte (Tabela 1), de acordo com o formato recomendado pelo Council for International Organizations of Medical Sciences (CIOMS III Working Group; 1995). Tabela 1 RAMs associadas ao tratamento com quetiapina A frequência dos acontecimentos adversos está convencionada da seguinte maneira: Muito frequentes (≥1/10), frequentes (≥1/100, <1/10), pouco frequentes (≥1/1.000, <1/100), raros (≥1/10.000, <1/1.000), muito raros (<1/10.000) e desconhecido (não pode ser calculado a partir dos dados disponíveis).
Doenças do sangue e do sistema linfático Muito frequentes: Hemoglobina diminuída22 Frequentes: Leucopenia1, 28, número de neutrófilos diminuído, eosinófilos aumentados27 Pouco frequentes: Neutropenia1, trombocitopenia, anemia, número de plaquetas diminuído13 Raros: Agranulocitose26 Doenças do sistema imunitário Pouco frequentes: Hipersensibilidade (incluindo reações alérgicas cutâneas) Muito raros: Reação anafilática5 Doenças endócrinas Frequentes: Hiperprolactinemia15, diminuição da T4 total24, diminuição da T4 livre24, diminuição da T3 total24, aumento da TSH24. Pouco frequentes: Diminuição da T3 livre24, hipotiroidismo21 Muito raros: Secreção inadequada de hormona antidiurética Doenças do metabolismo e da nutrição Muito frequentes: Aumento dos níveis séricos de trigliceridos10, 30 Aumento do colesterol total (predominantemente o colesterol LDL)11, 30 Diminuição do colesterol HDL 17,30, aumento de peso8, 30 Frequentes: Aumento do apetite, aumento da glicemia 16-10-2024
para níveis hiperglicemicos6, 30 Pouco frequentes: Hiponatremia19, Diabetes Mellitus1,5, exacerbação de diabetes pré-existente Raros: Síndrome metabólico29 Perturbações do foro psiquiátrico Frequentes: Sonhos anormais e pesadelos, ideação suicida e comportamento suicida20 Raros: Sonambulismo e reações relacionadas tais como somnilóquio e perturbações alimentares ligadas ao sono Doenças do sistema nervoso Muito frequentes: Tontuas4,16, sonolência2,16, cefaleia, sintomas extrapiramidais1,21 Frequentes: Disartria Pouco frequentes: Convulsões1, síndrome das pernas irrequietas, discinesia tardia1,5, síncope4,16, Estado de confusão Afeções oculares Frequentes: Visão turva Cardiopatias Frequentes: Taquicardia4, palpitações23 Pouco frequentes: Prolongamento do intervalo QT1,12,18, bradicardia32 Desconhecido: cardiomiopatia e miocardite
Vasculopatias Frequentes: Hipotensão ortostática4,16 Raros: Tromboembolismo venoso1 Desconhecido: AVC33 Doenças respiratórias, torácicas e do mediastino Frequentes: Dispneia23 Pouco frequentes: Rinite Doenças gastrointestinais Muito frequentes: Boca seca Frequentes: Obstipação, dispepsia, vómitos25 Pouco frequentes: Disfagia7 Raros: Pancreatite1, obstrução intestinal/íleo Afeções hepatobiliares Frequentes: Elevação da alanina aminotransferase (ALT)3, aumento dos níveis de gamma- GT3 Pouco frequentes: Elevação da aspartato aminotransferase sérica (AST)3 Raros: Icterícia5, hepatite Afeções dos tecidos cutâneos e subcutâneos Muito raros: Angioedema5, síndrome de Stevens- Johnson5 Desconhecido: Necrólise epidérmica tóxica, Eritema Multiforme, Pustulose Exantematosa Generalizada Aguda (AGEP), Erupção Cutânea Medicamentosa com Eosinofilia e Sintomas Sistémicos (ECMESS), Vasculite cutânea Afeções musculoesqueléticas e dos tecidos conjuntivos 16-10-2024
Muito raros: Rabdomiólise Doenças renais e urinárias Pouco frequentes: Retenção urinária Situações na gravidez, no puerpério e perinatais Desconhecido: Síndrome neonatal de privação de fármacos31 Doenças dos órgãos genitais e da mama Pouco frequentes: Disfunção sexual Raros: Priapismo, galactorreia, inchaço mamário, distúrbios menstruais Perturbações gerais e alterações no local de administração Muito frequentes: Sintomas de descontinuação da terapêutica1,9 Frequentes: Astenia ligeira, edema periférico, irritabilidade, pirexia Raros: Síndrome maligna dos neurolépticos1, hipotermia Exames complementares de diagnóstico Raros: Elevações da creatinina fosfoquinase no sangue14
1. Ver secção 4.4.
2. Pode ocorrer sonolência, habitualmente durante as duas primeiras semanas de
tratamento e que geralmente cessa com a continuação do tratamento com quetiapina.
3. Foram observadas elevações assintomáticas (alteração do valor normal para > 3x LSN
em qualquer altura) nas transaminases séricas (ALT, AST) ou nos níveis de gama-GT em alguns doentes tratados com quetiapina. Estas elevações foram geralmente reversíveis com a continuação do tratamento com quetiapina.
4. Tal como com outros antipsicóticos com atividade bloqueadora alfa adrenérgica, a
quetiapina pode frequentemente induzir hipotensão ortostática, associada a tonturas, taquicardia e, nalguns doentes, síncope, especialmente durante o período inicial de titulação da dose (Ver secção 4.4).
5. O cálculo da frequência destas RAMs foi efetuado apenas com base nos dados de pós-
comercialização.
6. Glucose no sangue em jejum ≥ 126 mg/dL (≥ 7,0 mmol/L) ou glucose no sangue pós
prandial ≥ 200 mg/dL (≥ 11,1 mmol/L) em pelo menos uma ocasião.
7. Foi observado um aumento da taxa de disfagia com quetiapina vs. placebo apenas em
ensaios clínicos na depressão bipolar.
8. Com base no aumento > 7% na massa corporal desde o estado basal. Ocorre
predominantemente durante as primeiras semanas de tratamento em adultos.
9. Os seguintes sintomas de privação foram observados mais frequentemente em
ensaios clínicos agudos controlados com placebo em monoterapia, que avaliaram como sintomas de abstinência: insónia, náuseas, cefaleia, diarreia, vómitos, tonturas e irritabilidade. A incidência destas reações diminuiu significativamente uma semana após a descontinuação.
10. Triglicéridos ≥ 200mg/dL (≥ 2,258 mmol/L) (doentes ≥ 18 anos de idade) ou ≥ 150
mg/dL (≥ 1,694 mmol/L) (doentes < 18 anos de idade) pelo menos numa ocasião. 11. Colesterol ≥ 240 mg/dL (≥ 6,2064 mmol/L) (doentes ≥ 18 anos de idade) ou ≥ 200 mg/dL (≥ 5,172 mmol/L) (doentes < 18 anos de idade) pelo menos numa ocasião. Foi observado muito frequentemente um aumento ≥ 30 mg/dL (≥ 0,769 mmol/L) no colesterol LDL. A variação média entre doentes que sofreram este aumento foi de 41,7 mg/dL (≥ 1,07 mmol/L). 12. Ver texto abaixo. 13. Plaquetas ≤ 100x109/L em pelo menos uma ocasião. 16-10-2024
14. Tendo como base os relatórios de acontecimentos adversos em ensaios clínicos, o aumento da creatina fosfoquinase no sangue não está associado à síndrome maligna dos neurolépticos. 15. Níveis de prolactina (doentes > 18 anos de idade): > 20 µg/L (> 869,56 pmol/L) nos homens; > 30 µg/L (> 1304,34 pmol/L) nas mulheres em qualquer altura. 16. Pode originar quedas. 17. Colesterol HDL: homens < 40 mg/dL (1,025 mmol/L); mulheres < 50 mg/dL (1,282 mmol/L) em qualquer momento. 18. Incidência de doentes com QTc alterado de < 450 mseg para ≥ 450 mseg com um aumento de ≥ 30 mseg. Em ensaios com quetiapina controlados com placebo a alteração média e a incidência de doentes que sofreram uma alteração para um nível clinicamente significativo foi similar entre a quetiapina e placebo. 19. Mudar de > 132 mmol/L para ≤ 132 mmol/L pelo menos em uma situação. 20. Foram notificados casos de ideação suicida e comportamentos suicidas durante a terapêutica com quetiapina ou logo após descontinuação terapêutica (ver secções 4.4 e 5.1). 21. Ver secção 5.1. 22. A diminuição da hemoglobina para ≤ 13 g/dL (8,07 mmol/L) homens, ≤ 12 g/dL (7,45 mmol/L) mulheres, em pelo menos uma ocasião, ocorreu em 11% dos doentes com quetiapina em todos os ensaios, incluindo extensões em ensaio aberto. Para esses doentes, a diminuição média máxima da hemoglobina em qualquer ocasião foi -1,50 g/dL. 23. Estas notificações ocorreram no contexto de taquicardia, tonturas, hipotensão ortostática, e/ou doença cardíaca/respiratória subjacente. 24. Com base em alterações desde o valor inicial, normal, até valores potencialmente clinicamente relevante a qualquer momento, após o valor inicial em todos os ensaios clínicos. Mudanças na T4 total, T4 livre, T3 total e T3 livre são definidas como < 0,8 x LLN (pmol/L) e mudanças na TSH como > 5 mIU/L a qualquer momento. 25. Com base no aumento da taxa de vómito em doentes idosos (≥ 65 anos de idade). 26. Baseado na alteração dos valores iniciais de neutrófilos de ≥ 1,5 x 10^9/L, para < 0,5 x 10^9/L a qualquer momento durante o tratamento e baseado em doentes com neutropenia grave (<0,5 x 10^9/L) e infeção durante todos os ensaios clínicos com quetiapina (ver secção 4.4). 27. Baseado na alteração dos valores basais normais para valores com potencial clinicamente relevante em qualquer momento pós valores basais em todos os ensaios clínicos. As alterações nos eosinófilos estão definidas como 1x109 células/L em qualquer momento. 28. Baseado na alteração dos valores basais normais para valores potencialmente clinicamente relevantes em qualquer momento pós valores basais em todos os ensaios clínicos. As mudanças nos glóbulos brancos estão definidas como ≤ 3x109 células/L em qualquer momento. 29. Baseado nas notificações de efeitos adversos de síndrome metabólico a partir de todos os ensaios clínicos com quetiapina. 30. Em alguns doentes, foi observado em ensaios clínicos agravamento de mais do que um fator metabólico: peso corporal, glicemia e lípidos (ver secção 4.4). 31. Ver secção 4.6. 32. Pode ocorrer no início ou próximo do inicio do tratamento e estar associada com hipotensão e/ou síncope. Frequência baseada na notificação de acontecimentos adversos de bradicardia e acontecimentos relacionados em todos os ensaios clínicos com quetiapina. 33. Com base num estudo epidemiológico, retrospetivo, não-aleatorizado. Foram notificados casos de prolongamento do intervalo QT, arritmia ventricular, morte súbita inexplicável, paragem cardíaca e “torsade de pointes” com a utilização de neurolépticos, considerados como sendo um efeito de classe. População pediátrica 16-10-2024
Para crianças e adolescentes, devem ser consideradas as mesmas RAMs descritas para os adultos. A tabela seguinte sumariza as RAMs que ocorrem numa categoria de frequência mais elevada em doentes crianças e adolescentes (10 a 17 anos de idade) do que na população adulta, ou reações RAMs que não foram identificadas na população adulta. Tabela 2 RAMs associadas a terapêutica com quetiapina que ocorrem com uma frequência superior em crianças e adolescentes relativamente aos adultos, ou não identificadas na população adulta As frequências das reações adversas estão convencionadas da seguinte maneira: Muito frequentes (>1/10), Frequentes (>1/100, <1/10), Pouco frequentes (>1/1.000, <1/100), Raros (>1/10.000, <1/1.000) e Muito raros (<1/10.000) Doenças endócrinas Muitos frequentes Aumento da prolactina1 Doenças do metabolismo e da nutrição Muito frequentes Aumento do apetite Doenças do sistema nervoso Muito frequentes Sintomas extrapiramidais3,4 Frequentes Síncope Vasculopatias Muito frequentes Aumento da tensão arterial2 Doenças respiratórias, torácicas e do mediastino Frequentes Rinite Doenças gastrointestinais Muito frequentes Vómito Perturbações gerais e alterações no local de administração Frequentes Irritailidade3
1. Níveis de prolactina (doentes < 18 anos de idade): > 20 µg/L (> 869,56 pmol/L) nos
homens; > 26 µg/L (> 1130,428 pmol/L) nas mulheres em qualquer altura. Menos que 1% dos doentes tiveram um aumento do nível de prolactina > 100 µg/L.
2. Baseado nas alterações acima dos limites clinicamente significativos (adaptado dos
critérios do National Institutes of Health) ou aumentos > 20 mmHg para a pressão sistólica ou > 10 mmHg para a pressão diastólica em qualquer altura em dois ensaios clínicos de fase aguda (3-6 semanas) controlados com placebo realizados em crianças e adolescentes.
3. Nota: A frequência é consistente com o observado em adultos, no entanto, pode estar
associada a implicações clínicas diferentes em crianças e adolescentes em comparação com os adultos. 4.Ver secção 5.1. Notificação de suspeitas de reações adversas A notificação de suspeitas de reações adversas após a autorização do medicamento é importante, uma vez que permite uma monitorização contínua da relação benefício-risco do medicamento. Pede-se aos profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas diretamente ao INFARMED, I.P.: Sítio da internet: http://www.infarmed.pt/web/infarmed/submissaoram (preferencialmente) ou através dos seguintes contactos: Direção de Gestão do Risco de Medicamentos Parque da Saúde de Lisboa, Av. Brasil 53 1749-004 Lisboa Tel: +351 21 798 73 73 Linha do Medicamento: 800222444 (gratuita) E-mail: [email protected] 16-10-2024
4.9. Sobredosagem
Sintomas De um modo geral, os sinais e sintomas notificados foram os resultantes de uma exacerbação dos efeitos farmacológicos conhecidos desta substância ativa, ou seja, sonolência e sedação, taquicardia, hipotensão e efeitos anticolinérgicos. A sobredosagem pode levar ao prolongamento do intervalo QT, convulsões, estado de mal epilético, rabdomiólise, depressão respiratória, retenção urinária, confusão, delírio e/ou agitação, coma e morte. Nos doentes com doença cardiovascular grave pré- existente pode existir um aumento do risco dos efeitos de sobredosagem (Ver secção 4.4, Hipotensão ortostática). Tratamento da sobredosagem Não existe um antídoto específico para a quetiapina. Em casos de intoxicação grave, deve ser considerada a possibilidade desenvolvimento de múltiplos fármacos, sendo recomendados procedimentos de cuidados intensivos, incluindo o estabelecimento e manutenção da função respiratória, assegurando oxigenação e ventilação adequadas, e a monitorização e suporte do sistema cardiovascular. Com base na literatura publicada, os doentes com delírio, agitação e síndrome anticolinérgico evidente podem ser tratados com fisostigmina, 1-2 mg (sob monitorização eletrocardiográfica contínua). Este não está recomendado como tratamento padrão devido aos potenciais efeitos negativos da fisostigmina na condutividade cardíaca. A fisostigmina pode ser utilizada caso não se verifiquem anomalias no ECG. A fisostigmina não deve ser utilizada em casos de disritmia, em qualquer grau de bloqueio cardíaco ou alongamento da curva QRS. Ainda que a prevenção da absorção em casos de sobredosagem não tenha sido investigada, a lavagem gástrica pode ser indicada em envenenamentos graves e, se possível, deve ser efetuada até uma hora após a ingestão. A administração de carvão ativado deverá ser considerada. Nos casos de sobredosagem com quetiapina, a hipotensão refratária deverá ser tratada com medidas apropriadas tais como fluidos intravenosos e/ou agentes simpaticomiméticos. Epinefrina e dopamina devem ser evitados, pois a estimulação beta pode agravar a hipotensão no bloqueio alfa induzido pela quetiapina. Deve manter-se uma supervisão e monitorização médica continuada até que o doente recupere.
5. PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS
5.1. Propriedades farmacodinâmicas
Grupo farmacoterapêutico: 2.9.2 Sistema nervoso central. Psicofármacos. Antipsicóticos; Diazepinas, oxazepinas e tiazepinas código ATC: N05AH04 Mecanismo de ação A quetiapina é um agente antipsicótico atípico. A quetiapina e o metabolito plasmático ativo humano, a norquetiapina interagem com um largo número de recetores de neurotransmissores. A quetiapina e a norquetiapina têm afinidade para os recetores cerebrais da serotonina (5HT2) e da dopamina D1 e D2. Pensa-se que esta associação do antagonismo dos recetores com a maior seletividade para os recetores 5HT2 em relação aos recetores D2, contribui para as propriedades clínicas antipsicóticas e para o baixo 16-10-2024
risco de provocar efeitos secundários extrapiramidais (SEP) de quetiapina comparativamente com antipsicóticos típicos. A quetiapina e a norquetiapina não apresentam afinidade relevante para os recetores das benzodiazepinas mas têm elevada afinidade para os recetores histaminérgicos e alfa 1 adrenérgicos, afinidade moderada para os recetores alfa 2 adrenérgicos. A quetiapina tem baixa ou nenhuma afinidade para os recetores muscarínicos, enquanto a norquetiapina tem afinidade moderada a alta para vários recetores muscarínicos, o que pode explicar os efeitos anticolinérgicos (muscarínicos). A inibição do TNE (transportador da norepinefrina) e a ação parcialmente agonista do recetor 5HT1A da norquetiapina pode contribuir para a eficácia terapêutica da quetiapina como antidepressivo. Efeitos farmacodinâmicos A quetiapina é ativa em testes de atividade antipsicótica, tais como a fuga condicionada. Também bloqueia a atividade dos agonistas dopaminérgicos, determinada quer pelo comportamento ou eletrofisiologicamente e eleva as concentrações dos metabolitos de dopamina, um índice neuroquímico do bloqueio dos recetores D2. Em testes pré-clínicos preditivos de SEP, a quetiapina não é semelhante aos antipsicóticos típicos e tem um perfil atípico. A quetiapina não produz hipersensibilidade dos recetores D2 da dopamina após administração crónica. A quetiapina produz apenas uma ligeira catalepsia para doses eficazes no bloqueio dos recetores D2 da dopamina. A quetiapina demonstra seletividade para o sistema límbico pois produz um bloqueio por despolarização do mesolímbico, mas não bloqueia os neurónios dopaminérgicos nigroestriados, após administração crónica. A quetiapina exibe um risco distónico mínimo em macacos Cebus sensibilizados com haloperidol ou que tomaram contacto com o fármaco pela primeira vez, após administração aguda e crónica (ver secção 4.8). Eficácia clínica Esquizofrenia Em três ensaios clínicos controlados com placebo, em doentes com esquizofrenia, utilizando várias doses de quetiapina, não se observaram diferenças na incidência de SEP ou uso concomitante de anticolinérgicos entre o grupo tratado com quetiapina e o grupo tratado com placebo. Um ensaio controlado com placebo avaliou doses fixas de quetiapina no intervalo entre 75 e 750 mg/dia, e não evidenciou um aumento de SEP ou do uso concomitante de anticolinérgicos. A eficácia de longa duração de quetiapina comprimidos de libertação imediata na prevenção de recorrências de esquizofrenia não foi verificada em ensaios clínicos com ocultação. Em estudos abertos, em doentes com esquizofrenia, a quetiapina foi eficaz na manutenção da melhoria clínica durante a continuação da terapêutica em doentes que apresentaram uma resposta inicial ao tratamento, o que sugere alguma eficácia a longo prazo. Perturbação bipolar Em quatro ensaios controlados com placebo, dois dos quais em monoterapia e os outros em terapêutica combinada com lítio ou divalproex, que avaliaram doses de quetiapina até 800 mg/dia para o tratamento de episódios maníacos moderados a grave, não se observaram diferenças na incidência de SEP ou na necessidade da utilização concomitante de anticolinérgicos, entre o grupo tratado com quetiapina e o grupo tratado com placebo. No tratamento dos episódios maníacos moderados a graves, a quetiapina demonstrou uma eficácia superior ao placebo na redução dos sintomas maníacos às 3 e 12 semanas, em dois ensaios em monoterapia. Não existem dados de estudos a longo prazo que demonstrem a eficácia de quetiapina na prevenção de subsequentes episódios maníacos ou depressivos. Os dados sobre quetiapina em combinação com divalproex ou lítio nos 16-10-2024
episódios maníacos agudos moderados a graves às 3 e 6 semanas são limitados; contudo a terapêutica combinada foi bem tolerada. Os dados mostraram um efeito cumulativo às 3 semanas. Um segundo estudo não demonstrou um efeito cumulativo às 6 semanas. A média da última dose mediana semanal de quetiapina nos indivíduos que responderam à terapêutica foi de aproximadamente 600 mg/dia, e cerca de 85% dos indivíduos que responderam à terapêutica foram tratados com doses compreendidas entre 400 e 800 mg/dia. Em 4 ensaios clínicos com quetiapina, de duração de 8 semanas, em doentes com episódios depressivos moderados a graves na perturbação bipolar I ou II, quetiapina comprimidos de libertação imediata 300 mg e 600 mg foi significativamente superior ao grupo de doentes tratados com placebo nos resultados de medidas relevantes: melhoria média da MADRS e resposta definida como pelo menos uma melhoria de 50% na pontuação total da MADRS desde o equilíbrio. Não se verificou diferença na magnitude do efeito entre os doentes que receberam 300 mg de quetiapina comprimidos de libertação imediata e aqueles que receberam uma dose de 600 mg. Na fase de manutenção de dois destes estudos, foi demonstrado que o tratamento a longo prazo de doentes que responderam a quetiapina comprimidos de libertação imediata 300 ou 600 mg foi eficaz comparativamente ao tratamento com placebo no que respeita aos sintomas depressivos, mas não relativamente aos sintomas maníacos. Em dois estudos de prevenção das recorrências avaliando quetiapina em associação a outros estabilizadores de humor, em doentes com mania, deprimidos ou episódios mistos de humor, a associação com quetiapina foi superior aos estabilizadores de humor em monoterapia, aumentando o tempo até à recorrência de outro evento de humor (mania, misto ou depressão). Quetiapina foi administrado duas vezes ao dia com um total de 400 mg a 800 mg por dia em associação com lítio ou valproato. Num estudo aleatorizado de 6 semanas com lítio e quetiapina comprimidos de libertação prolongada versus placebo e quetiapina comprimidos de libertação prolongada em doentes adultos com mania aguda, a diferença na melhoria da YMRS média entre o grupo tratado em associação com lítio e o grupo tratado com placebo foi de 2,8 pontos e a diferença na percentagem dos doentes que responderam à terapêutica (definida como melhoria de 50% do nível basal da YMRS) foi de 11% (79% no grupo tratado com lítio vs 68% no grupo tratado em associação com placebo). Num estudo a longo prazo (até 2 anos de tratamento) que avaliou a prevenção das recorrências em doentes com episódios de humor maníacos, mistos ou depressivos, a quetiapina foi superior ao placebo ao aumentar o tempo até à recorrência de qualquer episódio de alteração de humor (maníaco, misto ou depressivo), em doentes com perturbação bipolar I. O número de doentes com alteração de humor foi de 91 (22,5%) no grupo da quetiapina, 208 (51,5%) no grupo com placebo e 95 (26,1%) no grupo de tratamento com lítio, respetivamente. Em doentes que responderam à quetiapina, quando se compara o tratamento continuado com quetiapina com a mudança de tratamento para lítio, os resultados indicam que a mudança para tratamento com lítio não parece estar associada com o aumento de tempo até à recorrência de um episódio de alteração de humor. Ensaios clínicos demonstraram que quetiapina é eficaz na esquizofrenia e mania quando administrado duas vezes ao dia, apesar da quetiapina ter uma semivida farmacocinética de aproximadamente 7 horas. Este facto foi posteriormente apoiado pelos dados obtidos a partir de um estudo de tomografia de emissão de positrões (TEP), que permitiu identificar que a ocupação dos recetores 5HT2 e D2 pela quetiapina se mantém durante 12 horas. Não foram avaliadas a segurança e a eficácia para doses superiores a 800 mg/dia. 16-10-2024
Segurança clínica: Em ensaios clínicos de curta duração, controlados com placebo, na esquizofrenia e na mania bipolar, a incidência agregada de sintomas extrapiramidais foi semelhante à do placebo (esquizofrenia: 7,8% para quetiapina e 8,0% para placebo; mania bipolar: 11,2% para quetiapina e 11,4% para placebo). Taxas elevadas de sintomas extrapiramidais foram observadas em doentes tratados com quetiapina comparativamente aos tratados com placebo, em ensaios clínicos de curta duração, controlados com placebo, na depressão bipolar e PDM. Em ensaios clínicos de curta duração, controlados com placebo, na depressão bipolar, a incidência agregada de sintomas extrapiramidais foi de 8,9% para quetiapina comparativamente com 3,8% para placebo. Em ensaios clínicos de curta duração, controlados com placebo em monoterapia, na perturbação depressiva major, a incidência agregada de sintomas extrapiramidais foi de 5,4% para quetiapina comprimidos de libertação prolongada e de 3,2% para placebo. Num ensaio de curta duração controlado com placebo em monoterapia em doentes idosos com perturbação depressiva major, a incidência agregada de sintomas extrapiramidais foi de 9,0% para quetiapina comprimidos de libertação prolongada e de 2,3% para placebo. Em ambas, depressão bipolar e PDM, a incidência das reações adversas individuais (por exemplo, acatisia, perturbações extrapiramidais, tremor, discinesia, distonia, inquietude, contrações musculares involuntárias, hiperatividade psicomotora e rigidez muscular) não excedeu 4% em nenhum grupo de tratamento. Em estudos de curta duração, com dose fixa (50 mg/dia a 800 mg/dia), controlados com placebo (com amplitudes de 3 a 8 semanas), a média do aumento de peso para doentes tratados com quetiapina variou entre 0,8 kg para a dose diária de 50 mg até 1,4 kg para a dose diária de 600 mg (com um ganho inferior para uma dose diária de 800 mg), comparativamente a 0,2 kg para doentes tratados com placebo. A percentagem de doentes tratados com quetiapina que ganharam ≥ 7% de peso corporal variou entre 5,3% para a dose diária de 50 mg até 15,5% para a dose diária de 400 mg (com um ganho inferior para uma dose diária de 600 mg e 800 mg), comparativamente a 3,7 % para doentes tratados com placebo. Um estudo aleatorizado de 6 semanas com lítio e quetiapina comprimidos de libertação prolongada versus placebo e quetiapina comprimidos de libertação prolongada em doentes adultos com mania aguda, indicou que a associação de quetiapina comprimidos de libertação prolongada e lítio induziu um maior número de acontecimentos adversos (63% versus 48% na associação quetiapina comprimidos de libertação prolongada e placebo). Os resultados de segurança mostraram uma incidência superior de sintomas extrapiramidais, notificados em 16,8% dos doentes tratados em associação com lítio e 6,6% no grupo tratado em associação com placebo, a maioria dos quais consistiu em tremor, notificado por 15,6% dos doentes tratados em associação com lítio e 4,9% dos doentes tratados em associação com placebo. A incidência de sonolência foi superior no grupo tratado com quetiapina comprimidos de libertação prolongada e lítio (12,7%), em comparação com o grupo tratado com quetiapina comprimidos de libertação prolongada e placebo (5,5%). Adicionalmente, uma percentagem superior de doentes tratados com lítio (8,0%) registou aumento de peso (≥ 7%) no final do tratamento em comparação com os doentes tratados com placebo (4,7%). Ensaios de longa duração na prevenção das recorrências com um período aberto de estudo (cuja duração variou de 4 a 36 semanas), durante o qual os doentes foram tratados com quetiapina, seguido por um período de interrupção aleatorizada no qual os doentes foram aleatorizados para quetiapina ou placebo. Nos doentes que foram aleatorizados com quetiapina, a média de ganho de peso durante o período em rótulo aberto foi de 2,56 kg e, na semana 48 do período de aleatorização, a média de ganho de peso foi de 3,22 kg, comparativamente ao valor inicial em período aberto de estudo. Nos doentes que foram aleatorizados com placebo, a média de ganho de peso durante o período aberto de estudo foi de 2,39 kg, e na semana 48 do período de aleatorização, a 16-10-2024
média do peso ganho foi de 0,89 kg, comparativamente ao valor inicial em período aberto de estudo. Em estudos controlados com placebo em doentes idosos com psicoses relacionadas com demência, a incidência de eventos cerebrovasculares por 100 doentes num ano não foi superior em doentes tratados com quetiapina do que em doentes tratados com placebo. Em todos os ensaios clínicos de curta duração controlados com placebo em monoterapia, em doentes com uma contagem de neutrófilos de base ≥ 1,5 x 10^9/L, a incidência de pelo menos uma ocorrência de contagem de neutrófilos < 1,5 x 10^9/L foi 1,9% em doentes tratados com quetiapina comparativamente a 1,5% em doentes tratados com placebo. A incidência de alterações > 0,5 - < 1,0 x 10^9/L foi 0,2% foi igual (0,2%) em doentes tratados com quetiapina e em doentes tratados com placebo. Em todos os ensaios clínicos (controlados com placebo, abertos, comparador ativo), em doentes com uma contagem de neutrófilos de base ≥ 1,5 x 10^9/L, a incidência de pelo menos uma ocorrência de variação da contagem de neutrófilos < 1,5 x 10^9/L foi de 2,9% e para valores < 0,5 x 10^9/L foi 0,21% em doentes tratados com quetiapina. O tratamento com quetiapina foi associado a diminuições, relacionadas com a dose, dos níveis das hormonas da tiroide. A incidência das alterações na TSH foi de 3,2% para quetiapina versus 2,7% para placebo. A incidência de alterações recíprocas, potencialmente e clinicamente significativas de T3 e T4 e TSH nestes estudos foram raras, e as alterações observadas nos níveis das hormonas da tiroide não foram associadas ao hipotiroidismo clinicamente sintomático. A diminuição dos níveis de T4 total e T4 livre foi máxima nas primeiras seis semanas de tratamento com quetiapina sem diminuições posteriores durante o tratamento de longa duração. Em dois terços dos casos, a interrupção do tratamento com quetiapina esteve associada a uma inversão dos efeitos sobre a T4 total e T4 livre, independentemente da duração do tratamento. Cataratas/opacidade do cristalino Num ensaio clínico para avaliar o potencial cataratogénico de quetiapina (200- 800 mg/dia) versus risperidona (2 a 8 mg/dia), em doentes com esquizofrenia ou perturbação esquizoafetiva, a percentagem de doentes com aumento do grau de opacidade do cristalino foi não-superior com quetiapina (4%) comparativamente com risperidona (10%), em doentes com pelo menos 21 meses de exposição. População pediátrica Eficácia clínica A eficácia e a segurança de quetiapina foram avaliadas num estudo de 3 semanas controlado com placebo no tratamento da mania (n= 284 doentes dos EUA, idades 10- 17). Aproximadamente 45% da população de doentes teve um diagnóstico adicional de Perturbação de Défice de Atenção com Hiperatividade. Adicionalmente, foi executado um ensaio a 6 semanas controlado com placebo no tratamento da esquizofrenia (n = 222 doentes, idades 13-17). Em ambos os estudos, doentes com falta de resposta conhecida a quetiapina foram excluídos. O tratamento com quetiapina foi iniciado com 50 mg/dia e no dia 2 aumentou-se para 100 mg/dia; subsequentemente, a dose foi titulada para uma dose alvo (mania 400-600 mg/dia; esquizofrenia 400-800 mg/dia), utilizando-se incrementos de 100 mg/dia administrados duas a três vezes por dia. No estudo da mania, a diferença a partir do equilíbrio na pontuação total da YMRS (ativo menos placebo), com base na alteração da média dos Mínimos Quadrados, foi –5,21 para quetiapina 400 mg/dia e –6,56 para quetiapina 600 mg/dia. As taxas de resposta (melhoria ≥50% da YMRS) foram 64% para quetiapina 400 mg/dia, 58% para 600 mg/dia e 37% no braço do placebo. 16-10-2024
No estudo da esquizofrenia, a diferença a partir do equilíbrio na pontuação total da PANSS (ativo menos placebo), com base na alteração da média dos Mínimos Quadrados, foi –8,16 para quetiapina 400 mg/dia e –9,29 para quetiapina 800 mg/dia. Nem na dose menor (400 mg/dia) nem no regime de dose mais elevado (800 mg/dia), a quetiapina foi superior ao placebo, no que respeita à percentagem de doentes a atingirem uma resposta, definida como uma redução ≥30% desde o equilíbrio na pontuação total da PANSS. As doses elevadas resultaram numa taxa de resposta numericamente inferior, quer na mania quer na esquizofrenia. Um terceiro estudo de curta duração em monoterapia controlado com placebo com quetiapina comprimidos de libertação prolongada em crianças e adolescentes doentes (idades entre 10-17 anos) com depressão bipolar não demonstrou eficácia. Não existem dados disponíveis na manutenção do efeito ou prevenção das recorrências neste grupo etário. Segurança clínica Nos ensaios clínicos pediátricos de curta duração com quetiapina acima descritos, a taxa de SEP no braço ativo vs placebo foi 12,9% vs 5,3% no ensaio da esquizofrenia, 3,6% vs 1,1% no estudo da mania bipolar e 1,1% vs 0% no estudo da depressão bipolar. As taxas de aumento de peso ≥7% relativamente ao peso inicial no braço ativo vs placebo foram 17% vs 2,5% nos estudos da esquizofrenia e mania bipolar e 13,7% vs 6,8% no estudo da depressão bipolar. As taxas de acontecimentos relacionados com suicido no braço ativo vs placebo foram 1,4% vs 1,3% no estudo da esquizofrenia, 1,0% vs 0% no estudo da mania bipolar e 1,1% vs 0% no estudo da depressão bipolar. Durante o período alargado de seguimento após tratamento, registaram-se dois acontecimentos adicionais relacionados com suicídio em dois doentes, no estudo da depressão bipolar; um dos doentes encontrava-se a fazer tratamento com quetiapina na altura em que ocorreu o evento. Segurança a longo prazo Uma extensão aberta de 26 semanas dos estudos agudos (n=380 doentes), com quetiapina em dose flexível entre 400-800 mg/dia, forneceu dados de segurança adicionais. Foram notificados aumentos da tensão arterial em crianças e adolescentes e aumento do apetite, sintomas extrapiramidais e aumento dos níveis séricos de prolactina foram mais frequentemente notificados em crianças e adolescentes relativamente a adultos (ver secção 4.4 e 4.8). Relativamente ao aumento de peso, após ajustamento para o crescimento normal a longo prazo, foi utilizado um aumento de pelo menos 0,5 relativamente ao Índice de Massa Corporal (IMC) como medida de alterações com significado clínico; 18,3% dos doentes tratados com quetiapina durante pelo menos 26 semanas preencheram este critério.
5.2. Propriedades farmacocinéticas
Absorção A quetiapina é bem absorvida e extensamente metabolizada após administração oral. A biodisponibilidade da quetiapina não é afetada significativamente pela administração juntamente com alimentos. O pico das concentrações molares do metabolito ativo norquetiapina, no estado estacionário é de 35% do observado para a quetiapina. A farmacocinética da quetiapina e da norquetiapina é linear no intervalo de doses aprovadas. Distribuição A quetiapina tem uma ligação às proteínas plasmáticas de aproximadamente 83%. Biotransformação 16-10-2024
A quetiapina é extensamente metabolizada pelo fígado, com uma excreção na urina e nas fezes de menos de 5% do composto de origem na forma inalterada, após a administração de quetiapina marcada radioactivamente. Investigações in vitro estabeleceram que a CYP3A4 é a principal enzima responsável pelo metabolismo da quetiapina mediado pelo citocromo P450. A norquetiapina é principalmente formada e eliminada pela CYP3A4. Aproximadamente 73% da radioatividade é excretada na urina e 21% nas fezes. Descobriu-se que a quetiapina e vários dos seus metabolitos (incluindo a norquetiapina) são inibidores fracos das atividades do citocromo humano P450 1A2, 2C9, 2C19, 2D6 e 3A4, in vitro. Observa-se inibição do CYP, in vitro, apenas em concentrações aproximadas 5 a 50 vezes superiores às observadas no intervalo de doses 300 a 800 mg/dia nos humanos. Com base nestes resultados in vitro, não é esperado que a administração concomitante de quetiapina com outros fármacos resulte numa inibição clinicamente significativa pela quetiapina, do metabolismo mediado pelo citocromo P450 do outro fármaco. Em estudos animais, a quetiapina parece induzir o citocromo P450. No entanto, num estudo específico de interações em doentes psicóticos, não se registou um aumento da atividade do citocromo P450 após administração de quetiapina. Eliminação A semivida de eliminação da quetiapina e da norquetiapina é de aproximadamente 7 e 12 horas, respetivamente. A fração molar média excretada na urina da dose de quetiapina livre e do metabolito plasmático ativo humano norquetiapina é < 5%. Populações especiais Género A cinética da quetiapina não difere entre o homem e a mulher. Idosos A depuração média da quetiapina nos idosos é cerca de 30 a 50% inferior à observada em adultos com idades entre os 18 e 65 anos. Compromisso renal Observou-se uma redução de aproximadamente 25% na depuração plasmática média da quetiapina em indivíduos com insuficiência renal grave (depuração da creatinina inferior a 30 ml/min/1,73 m2), mas os valores individuais da depuração estão dentro do intervalo para indivíduos normais. Compromisso hepático A depuração plasmática média da quetiapina reduz-se em aproximadamente 25% em indivíduos com compromisso hepático conhecido (cirrose alcoólica estável). Uma vez que a quetiapina é extensamente metabolizada pelo fígado, são esperadas concentrações plasmáticas mais elevadas na população com compromisso hepático. Poderá ser necessário efetuar ajustes de dose nestes doentes (ver secção 4.2). População pediátrica Foram analisados dados de farmacocinética de 9 crianças com idades entre 10-12 anos e 12 adolescentes, que estavam em tratamento, no estado de equilíbrio, com 400 mg de quetiapina duas vezes ao dia. No estado de equilíbrio, os níveis plasmáticos normalizados com a dose do composto parente, quetiapina, em crianças e adolescentes (10-17 anos de idade) foram no geral similares aos dos adultos, embora a Cmax em crianças tenha sido registada na extremidade superior do limite observado nos adultos. A AUC e a Cmax do metabolito ativo, norquetiapina, foram superiores, aproximadamente 62% e 49% em crianças (10-12 anos), respetivamente, e 28% e 14% em adolescentes (13-17 anos), respetivamente, comparativamente a adultos. 16-10-2024
5.3. Dados de segurança pré-clínica
Não houve evidências de genotoxicidade em estudos de genotoxicidade in vitro e in vivo. Em animais de laboratório, com níveis de exposição clinicamente relevantes, registaram- se as seguintes alterações, que não foram ainda confirmadas por investigação clínica de longo prazo. Em ratos, observou-se pigmentação da glândula tiroide; em macacos cynomolgus, registou-se hipertrofia das células foliculares da tiroide, uma diminuição dos níveis plasmáticos de T3; diminuição das concentrações de hemoglobina e uma diminuição das contagens de células vermelhas e brancas e, em cães, opacidade do cristalino e cataratas. (Para Cataratas / opacidade do cristalino ver secção 5.1). Num estudo de toxicidade embriofetal em coelhos, a incidência de deformação flexural da articulação cárpica/társica no feto foi superior. Este efeito ocorreu na presença de efeitos maternos evidentes como diminuição do aumento de peso corporal. Estes efeitos estiveram presentes em casos de exposição materna a níveis similares ou ligeiramente superiores à dos humanos com a dose terapêutica máxima nos humanos, Desconhece-se a relevância desta evidência para os humanos. Num estudo de fertilidade em ratos, observou-se uma redução marginal da fertilidade do macho e pseudogravidez, prolongamento dos períodos de diestro, aumento do intervalo precoito e redução da taxa de gravidez. Estes efeitos estão relacionados com níveis aumentados de prolactina e não são diretamente relevantes para os humanos devido às diferenças entre espécies no controlo hormonal da reprodução.
6. INFORMAÇÕES FARMACÊUTICAS
6.1. Lista dos excipientes
Núcleo: Hidrogenofosfato de cálcio di-hidratado Lactose mono-hidratada Celulose microcristalina Carboximetilamido sódico (Tipo A) Povidona (K30) Estearato de magnésio Sílica coloidal anidra Talco Revestimento: Hipromelose (6 cps) Macrogol 400 Dióxido de titânio (E171) Óxido de ferro amarelo (E172) (comprimidos de 25 mg, 100 mg e 150 mg) Óxido de ferro vermelho (E172) (comprimidos de 25 mg) Tinta de impressão preta contendo shellac e óxido de ferro negro (comprimidos de 100 mg, 150 mg, 200 mg e 300 mg)
6.2. Incompatibilidades
Não aplicável.
6.3. Prazo de validade
3 anos 16-10-2024
6.4. Precauções especiais de conservação
O medicamento não necessita de quaisquer precauções especiais de conservação.
6.5. Natureza e conteúdo do recipiente
Os comprimidos revestidos por película de Quetiapina Aurovitas estão disponíveis em embalagens blister de PVC/folha de alumínio. Apresentações: Embalagens blister: 6, 10, 20, 50, 60 e 100 comprimidos revestidos por película. É possível que não sejam comercializadas todas as apresentações.
6.6. Precauções especiais de eliminação
Qualquer medicamento não utilizado ou resíduos devem ser eliminados de acordo com as exigências locais.
7. TITULAR DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO
Generis Farmacêutica, S.A. Rua João de Deus, 19 2700-487 Amadora Portugal
8. NÚMERO(S) DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO
Registo n.º 5729835 no INFARMED, I.P. – 25 mg blister - 20 unidade(s) Registo n.º 5729843 no INFARMED, I.P. – 100 mg blister - 60 unidade(s) Registo n.º 5729850 no INFARMED, I.P. – 200 mg blister - 60 unidade(s) Registo n.º 5729868 no INFARMED, I.P. – 300 mg blister - 60 unidade(s)
9. DATA DA PRIMEIRA AUTORIZAÇÃO/RENOVAÇÃO DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO
NO MERCADO 12 de agosto de 2016
